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Terça, 28 Fevereiro 2017 16:43

Dicas de Penitência de São Josemaría Escrivá

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“Penitência, penitência, penitência!”, pedia o anjo com voz forte, segurando uma espada de fogo na mão esquerda, com chamas que ameaçavam incendiar o mundo. Essa foi a visão dos Três Pastorinhos, o Terceiro Segredo de Fátima. E o Nosso Mestre mesmo alertou: "Se não fizerdes penitência, perecereis todos do mesmo modo" (Lc 13,5).

Está claro que não se trata de uma questão secundária, mas sim de um ponto decisivo para a nossa salvação. Não podemos ser relaxados com isso!

Temos que fazer penitência, especialmente (mas não somente) durante a Quaresma. Mas o que é penitência? Qual a melhor penitência que posso fazer?

Penitência é uma PENA, uma punição que cumprimos para expiar nossos pecados, ou para ajudar a expiar os pecados de nossos irmãos. Quando Jesus disse que para segui-lo, era necessário que cada um tome a sua cruz, ele estava justamente falando sobre penitência.

Há outra palavra que é praticamente sinônimo de penitência: MORTIFICAÇÃO. Quanto nos mortificamos, fazemos morrer as nossas pequenas vontades, como uma espécie de “treinamento do espírito”. Assim, quando no futuro o Senhor nos pedir uma grande renúncia (pode esperar, porque ELE VAI PEDIR), seremos mais capazes de ouvi-Lo e de cumprir a Sua vontade, já que nos acostumamos a morrer um pouquinho todos os dias.

Fazer penitência é morrer um pouquinho a cada dia, por amor. E assim, a cada pequena morte diária, mais damos espaço em nosso coração para que o Espírito Santo viva em nós, pois “é morrendo que se vive para a vida eterna”!

Deus, em sua infinita misericórdia, nos oferece muitas oportunidades de penitência. Mas nós, que temos a tentação de buscar o Paraíso aqui neste mundo, tantas e tantas vezes desperdiçamos essas bênçãos em forma de cruz.

Olhando para a minha experiência: quantas vezes eu poderia ter comido em silêncio o que estava no meu prato, mas preferi reclamar, pois não gostei do sabor?

Quantas vezes poderia ter levantado da cama na hora certa, mas preferi ficar enrolando na cama por mais dez minutos?

Quantas vezes poderia ter respondido com paciência a alguém que estava me irritando, mas explodi? Quantas vezes poderia ter desligado a TV e rezado um terço? E me neguei! Preferi fazer o que mais me agradava imediatamente.

Ninguém está dizendo que devemos renunciar a tudo, e toda a hora fazer penitência. Podemos, sim, desfrutar de muitos prazeres, como se divertir ou saborear uma boa comida. Jesus, por exemplo, foi até mesmo chamado de "comilão e beberrão" (Lc 7,34) pelos fariseus. E o grande Padre Pio se divertia muito jogando bocha com seus confrades (segundo o testemunho de Luigi Peroni, em se livro "Padre Pio - o São Francisco de nosso tempo").

Porém, se ficamos frouxos demais a ponto de nunca ou raramente fazermos pequenas renúncias em nosso dia a dia ... Aí a coisa tá feia.

Se você está nessa situação de malandragem espiritual, não se acomode, nem se desespere: recomece hoje!

Compartilho com vocês um texto de São Josemaría Escrivá, que tem me ajudado muito a retomar a atenção com os pequenos atos de penitência. Confira a seguir!

 *****

São Josemaría Escrivá, “Amigos de Deus”, 138-140

 (o livro completo pode ser lido aqui)

 

"Penitência é o cumprimento exato do horário que marcaste, ainda que o corpo resista ou a mente pretenda evadir-se em sonhos quiméricos. Penitência é levantar-se na hora. E também não deixar para mais tarde, sem um motivo justificado, essa tarefa que te é mais difícil ou trabalhosa.

"A penitência está em saberes compaginar todas as tuas obrigações - com Deus, com os outros e contigo próprio -, sendo exigente contigo de modo que consigas encontrar o tempo de que cada coisa necessita. És penitente quando te submetes amorosamente ao teu plano de oração, apesar de estares esgotado, sem vontade ou frio.

"Penitência é tratar sempre com a máxima caridade os outros, começando pelos da tua própria casa. É atender com a maior delicadeza os que sofrem, os doentes, os que padecem. É responder com paciência aos maçantes e inoportunos. É interromper ou modificar os programas pessoais, quando as circunstâncias - sobretudo os interesses bons e justos dos outros - assim o requerem.

"A penitência consiste em suportar com bom humor as mil pequenas contrariedades da jornada; em não abandonares a tua ocupação, ainda que de momento te tenha passado o gosto com que a começaste; em comer com agradecimento o que nos servem, sem importunar ninguém com caprichos. (...)

"Poderia continuar a apontar-te uma multidão de detalhes - citei-te apenas os que me vinham à cabeça - que podes aproveitar ao longo do dia para te aproximares mais e mais de Deus, mais e mais do teu próximo. Se te mencionei esses exemplos, insisto, não é porque eu despreze as grandes penitências (...). Mas já te aviso que as grandes penitências são compatíveis com as quedas aparatosas, provocadas pela soberba.

"Em contrapartida, se alimentamos um desejo contínuo de agradar a Deus nas pequenas batalhas pessoais - como sorrir quando não se tem vontade; eu vos garanto, além disso, que em certas ocasiões custa mais um sorriso do que uma hora de cilício -, é difícil dar pasto ao orgulho, à ridícula ingenuidade de nos considerarmos heróis notáveis; ver-nos-emos como um menino que mal consegue oferecer a seu pai ninharias - ninharias que, no entanto, são recebidas com imenso júbilo.

"Portanto, um cristão tem que ser sempre mortificado? Sim, mas por amor. Porque este tesouro da nossa vocação nós o trazemos em vasos de barro, para que se reconheça que a grandeza do poder é de Deus e não nossa. (...) Trazemos sempre no nosso corpo por toda a parte a mortificação de Jesus, a fim de que a vida de Jesus se manifeste também em nossos corpos.

"Como é que nos atrevemos a clamar sem hipocrisia: 'Senhor, doem-me as ofensas que ferem o teu Coração amabilíssimo', se não nos decidimos a privar-nos de uma insignificância ou a oferecer um sacrifício minúsculo em louvor do seu Amor? A penitência - verdadeiro desagravo - lança-nos pelo caminho da entrega de nós mesmos, da caridade. Entrega para reparar, e caridade para ajudar os outros, como Cristo nos ajudou."

 

17258 Domingo, 28 Maio 2017 18:00

Comentários   

0 # Thaís 30-05-2017 17:19
POTS LINDOOOO!!! Escrevam mais sobre São Josemaria. É um santo que nos ensina tanto sobre vencer nas tarefas diárias, estar em Deus e no cotidiano. Modelo de virtudes para mim e minha família. Um grande abraço!
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+4 # Alex 24-05-2017 16:25
Texto muito bom, mas gente, evitem usar palavras como "lacrar", que fazem parte do vocabulário de gente completamente contrária a nossa fé.

Muitas batalhas são vencidas no campo das palavras.
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0 # Carol 27-05-2017 16:51
Concordo totalmente. Gostei muito do artigo e da sensibilidade da equipe deste site sobre a necessidade de falarmos de penitência.
Mas expressões como "lacrador" além de me remeter a outros ambientes - com outros tipos de discussões - pode também ser ofensiva.
Ao que parece, segundo o uso que tenho visto da expressão "lacrar", você 'lacra' quando dá uma resposta melhor que do seu oponente, quando -com suas palavras-deixa o outro sem resposta. Enfim, faz alusão a uma rivalidade/competição por quem tem razão. "Fulano lacrou!" Ou seja, com a resposta dele ganhou a discussão! Geralmente também se fala em lacrar quando a pessoa usa de frases retóricas, de conteúdo vazio mas que causam grande impacto. Enfim, definitivamente, na minha opinião (sujeita a críticas) não parece ser apropriada ao ambiente cristão. Acho que apresentar uma linguagem jovem não quer dizer que precisamos usar todas as expressões comuns/banais das redes sociais.
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0 # A Catequista 28-05-2017 18:02
Alex e Carol, a opinião de vocês é pertinente. Retiramos o termo do artigo. Obrigada!
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+3 # Thaís 25-04-2017 18:51
Ótimo texto!
POR FAVOR, escrevam mais sobre São Josemaria Escrivá! Falem sobre a obra magnífica que a Prelazia do Opus Dei realiza no mundo; visitem os centros culturais femininos e masculinos e contem suas experiências. É muito belo e o povo católico merece esse conhecimento, até mesmo para despertar a curiosidade e buscarem uma proximidade maior com Deus.
Abraços
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0 # Sharlyton Luis 03-03-2017 00:07
Estou aproveitando esse espaço pois não vi no site um local no qual eu possa enviar uma mensagem ( se tiver me digam).
Quero saber se vc tem algum post sobre o Livro Eunucos pelo reino
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0 # A Catequista 03-03-2017 13:43
Não, não temos um post sobre isso.

Para nos enviar mensagem, você pode usar o inbox da nossa fanpage no Facebook, ou pode nos enviar email:

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+7 # Alex 02-03-2017 10:34
Então façamos penitência para que a CNBB devolva a quaresma e em desagravo ao desfile de carnaval ao qual Nossa Senhora foi "homenageada". Também claro, por nossos pecados.
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0 # Elis 08-03-2017 19:45
Boa tarde a todos. Desculpe-me a ignorância, mas como assim "devolver a quaresma"? Você fala do lema da campanha da fraternidade?
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+2 # Pequetita 01-03-2017 17:59
Não posso deixar de relacionar o totó da charge ao adúltero incontinente que coabita e tem a audácia de comungar (especialmente na Quaresma). Falsas palavras lhe sopram ao ouvido, e sua pertinácia impenitente, assim "fundamentada" como "alegria do amor", leva sua alma à danação eterna...!! Oremus pro Ecclesia sancta Dei!!
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-1 # Ana 01-03-2017 15:49
Então, se é necessário a salvação, a pessoa q não fez penitencia tem q necessariamente confessar isso? Tem que fazer uma penitencia todos oa dias?
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0 # A Catequista 03-03-2017 13:47
Não há regra para fazer penitência. Cada um se penitencia conforme seu amor e sua consciência lhe impulsionam.

Mas, de fato, como o Tiago já disse, se uma pessoa NUNCA faz penitência, deve conversar com seu confessor. Pode estar pecando por preguiça espiritual - tibieza.

Na Quaresma, sim, se deve fazer penitência todos os dias. Ao menos uma pequenina. Como rezar mais do que o costume, ou renunciar a algum prazer.
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0 # Joao 12-03-2017 14:38
Citando A Catequista:

Na Quaresma, sim, se deve fazer penitência todos os dias. Ao menos uma pequenina. Como rezar mais do que o costume, ou renunciar a algum prazer.


Sobre a Quaresma, se eu me propus fazer algumas coisas (e abdicar de outras) e não consigo cumprir alguns dias, estou em pecado mortal?
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0 # Thiago 01-03-2017 16:01
Pode ser considerado tibieza
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+8 # João Pedro Strabelli 01-03-2017 10:58
Ouvi há muito, muito tempo atrás mas sempre me acompanhou e sei que preciso melhorar muito ainda: Maria foi uma simples dona de casa. Depois que Deus me presenteou com devoção a São José, acrescentei: José foi o que? Um simples pai de família. Cumpriu sua missão sem abrir a boca. Já fiz penitências grandes, não tanto quanto queria ou poderia, mas fiz algumas e posso dizer com tranquilidade: as pequenas são as mais difíceis
Não vou abandonar as grandes, mas já entendi que aquela coisinha insignificante que Deus pôs no meu caminho hoje e em sempre eu reparo vale muito. Muito mesmo. Afinal, como negar? Ganhei minha devoção a São José num período de dois segundos. Dentro de uma penitência enorme, foi uma coisinha de dois segundos, que eu nem pensava, que me deu este santo.
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+3 # Elias Glassmann 01-03-2017 01:40
A penitência realmente parece ser um fardo em nossas vidas, nos acostumamos a fazer as coisas sempre, do nosso jeito, do nosso modo, e é verdade, infelizmente buscamos suprir nossos desejos na mesma hora que aparecem, e acabamos deixando para depois, o que seria primordial para nossa fé, devemos nos atentar mais a respeito da penitência, Deus espera de nós, e como somos pecadores contumazes, nada mais sadio, do que fazer, uma limpeza de nossos pecados, seja por meio da penitência ou constante oração.
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