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Segunda, 18 Dezembro 2017 16:58

Será que o Vaticano deve vender seus bens e dar tudo aos pobres?

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O Dalai Lama é mundialmente reconhecido como uma das pessoas mais humildes e abnegadas do mundo. Entretanto, o que quase ninguém sabe é que, antes de fugir do Tibete, ele viveu durante toda a sua infância e juventude em um enorme e majestoso palácio – o Potala Palace. Em suas dependências, há amplos entalhes e outras decorações feitas com pedras preciosas e ouro.

Em muitos outros países de maioria budista, há uma enorme quantidade de altares e imagens de Buda feitas em ouro maciço. E não se vê ninguém levantar a voz para defender a venda desses objetos para distribuir o dinheiro aos pobres. Tudo é admirado – inclusive pelos turistas ocidentais – com respeito e até devoção. Bem diferente é o olhar dessas mesmas pessoas sobre a riqueza artística dos templos católicos, em especial, do Vaticano!

Certamente você já ouviu mil vezes a história de que a Igreja Católica é trilhardária, e de que as obras de arte do Vaticano deveriam ser vendidas para acabar com a fome no mundo. Isso não passa de mimimi dos anticatólicos recalcados!

A primeira coisa a entender é que a Igreja Católica não é uma ONG, nem uma empresa, nem um clubinho. Somos um povo! E como tal, gostamos de cuidar bem das coisas que são sagradas para nós. Por isso, as nossas igrejas são sempre alvo do olho-gordo alheio, principalmente aquelas que são mais ricamente ornamentadas (só para constar: nós não acreditamos em olho-gordo. Como bem dizia o Padre Quevedo, “Esso non ecziste!”).

Você sabia que o Vaticano é um país? Sabia que é a capital do nosso povo católico? O que deveríamos ter feito? Uma tapera? Acaso Brasília é feita de taperas? Aí você vai me perguntar sobre todas aquelas obras de arte. Pois todas elas foram presentes dados por um povo a Deus, ao longo de cerca de dois mil anos. É justo vender presentes que não são seus e que sabe-se lá com que esforço foram obtidos?

Você já viu alguém propor a venda das obras de arte do Museu do Louvre para dar o dinheiro aos pobres? É... Parece que, aos olhos do mundo, só os católicos não têm direito de manter um rico patrimônio artístico e arquitetônico.

Avisa para o seu amiguinho anticatólico que o terreno sobre onde está construída a Basílica de São Pedro foi "comprado" pelos cristãos com o preço de rios de sangue. Naquele local, um dia existiu o tenebroso Circo de Nero (saiba mais aqui). Então, estamos mais do que do direito de construir e manter ali um templo ricamente adornado.

Mas vamos lá… A causa é nobre: acabar com a fome no mundo! Não vale o esforço de vender toda a riqueza das nossas igrejas? Não. Porque não vai dar certo. Não é essa a maneira de fazer isso. Quantos milhões de dólares já foram enviados a regiões de extrema pobreza, sem sucesso algum? Muitos, não é? A corrupção não deixou que nada fosse feito.

Porém instituições bancadas e lideradas pela Igreja Católica conseguem chegar nesses lugares e fazer muito - como todos deveriam saber, católicos destinam muito dinheiro para a caridade. A Igreja Católica possui a maior rede de filantropia do mundo! Só para dar dois exemplos entre milhares: temos a Pastoral da Criança criada pela Dra. Zilda Arns, que reduz drasticamente a mortalidade infantil por onde passa; e a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (ACN – Aid to the Church in Need), que oferece socorro a pessoas necessitadas em diversos países.

Se vendêssemos tudo, não haveria mais como sustentar essas obras, e o dinheiro acabaria no bolso de algum político. Ainda assim, as doações da Santa Sé aos pobres de todo o mundo são frequentes e volumosas. Quando há um grande desastre em alguma parte do planeta, quase sempre o Vaticano envia uma considerável ajuda em dinheiro.

Só para ilustrar, citamos dois pequenos exemplos: em 2013, a Harley Davidson doou duas motos fantásticas para o Papa Francisco. Uma das motos ficou com a polícia do Vaticano (a Gandemeria), e outra foi leiloada, junto com uma jaqueta. O total arrecadado, de quase 300 mil euros, foi inteiramente destinado a obras de caridade. O mesmo foi feito com um automóvel Lamborghini que o Papa ganhou em 2017: será leiloado e o dinheiro encaminhado aos pobres.

Por fim. Porque os ateus e crentes querem fazer caridade com o dinheiro da Igreja Católica? Porque os ateus não propõem vender as lindas obras do Niemeyer espalhadas por todo país, especialmente em Brasília? Certamente alegarão que não podem ser vendidas porque pertencem ao povo!

Por que os evangélicos que tanto acusam a Igreja Católica não vendem suas redes de televisão? Tenho certeza de dirão algo parecido… Então por que exigem que o nosso povo católico se deixe depenar e se sacrifique sozinho? Aliás, o que todas essas pessoas já venderam ou renunciaram em nome de acabar com a fome no mundo? Quer saber mesmo? Nada. Enquanto os anticatólicos fazem bravata por aqui, a nossa Igreja Católica promove a dignidade humana e salva milhões de vidas nos lugares realmente necessitados.

Os zôio-gordo ignoram ainda que, mesmo se quisesse, o papa não poderia vender as obras de arte do Vaticano. Além de pertencer ao povo católico, o Vaticano foi declarado pela UNESCO como patrimônio da humanidade:

Em 1984, a Cidade do Vaticano foi registrada como um patrimônio cultural e natural mundial em termos da Convenção da UNESCO de 16 de novembro de 1972, que garante a proteção desses locais. O Estado da Cidade do Vaticano também é reconhecido internacionalmente como um patrimônio moral, artístico e cultural, que merece respeito e proteção como um tesouro que pertence a toda a humanidade. (Site do Estado do Vaticano)

Então, da próxima vez que seu amigo lhe aborrecer com esse assunto, mande ele dar o iPhone dele para o mendigo e parar de fazer discurso com o patrimônio alheio!

*****

9304 Terça, 19 Dezembro 2017 12:56

Comentários   

0 # Rafael José 28-02-2018 01:41
Ótimo artigo. Só um pequeno reparo: dizer que a Igreja Católica tem a maior rede de filantropia não é correto. Filantropia quem faz é maçon, é espírita, é protestante etc., porque visam o benefício somente em seu caráter imediato, e para render prestígio pessoal e social a quem o faz.

Eles não fazem o bem pelo Verbo Divino que se incarnou pobre, em uma manjedoura, que nasceu impoluto de uma Mãe Virgem e Imaculada, cujo esposo é o Espírito Santo, e nem que se dá diariamente na Santa Missa sob as espécies humílimas do Pão, e cujo Corpo e Sangue nos dá a vida da Graça, para superarmos o império da natureza, dos sentidos. Não fazem o bem por amor aos Mandamentos e sim por seguirem a "regra áurea", a ética da reciprocidade. Não vislumbram a salvação no Céu. Dão o alívio imediato, por respeito humano.

Para eles o "Cosmos" é o começo e o fim de tudo. Não amam a Deus em 1o lugar e acima de tudo... Não fazem caridade. Os católicos sim. Então, rede de caridade é melhor.
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+5 # Sidnei 22-12-2017 21:25
O que me deixa mais brabo neste história toda, não é de ver não católicos criticando as riquezas da Igreja que deveriam ser vendidas, para acabar com a fome no mundo, mas sim, de ver os próprio católicos dizendo isto. Só é um padre pedir algo a mais no final da Missa como uma ajuda financeira para aluma obra da Igreja, que já tem gente saindo da Igreja dizendo que o Papa deveria vender as riquezas da Igrejas, os bens do Vaticano para acabar com a pobreza no mundo, para não vir padres pedindo coisas no fina da Missa, ou seja, que católicos de m..., são estes, que se dizem católico da boca para fora, mas quando é para desembolsar algum centavos para ajudar alguma obra da Igreja, ficam com estes mimimi, alegando as mesmas coisas dos inimigos da Igreja. O pior, é que estas mesmas pessoas, caso vierem a serem evangélicas, darão alegremente o 10% do que ganham para os pastores, mas quando eram católicos, para desembolsar alguns centavos do bolso, era um verdadeiro parto.
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0 # Alex Hoffmann 20-12-2017 17:09
Sabe, a Igreja Católica deveria vender tudo, dividir o dinheiro para todos os pobres do mundo só para ver quanto tempo a face da terra ficaria sem pobreza.
Queria ver depois de 5 meses estes mesmos faladores de uma figa doar seus bens para continuar mantendo a face da terra sem pobres por pelo menos mais 5 dias.
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+2 # Samara 20-12-2017 13:09
Esquerdistas, ateus e afins: em vez de cultivar maconha, vão plantar comida e distribuir para quem precisa. O que vocês acham?

Gostei muito do texto. É curioso como muitos se deixam levar por essa onda anticatólica: conheço uma moça que viaja muito, por todo o mundo. É brasileira, família católica. Chegando em um país árabe, cobriu-se da cabeça aos pés, segundo as normas locais. Em uma catedral espanhola, no entanto, quis entrar com um vestido curto, o que não foi permitido. Então, ela começou a ironizar, dizendo que haviam implicado com a roupa dela, que não tinha nada a ver impedirem a entrada por conta do comprimento do vestido. Por que foi tão dócil quanto aos árabes, então? Por que eles merecem ser respeitados e nós não? É estranha essa falta de coerência.
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0 # Rafael José 28-02-2018 01:56
Bem sintomático de nossos dias a situação da moça que você conhece, Samara. Já refleti algumas vezes sobre como Deus age em nossas vidas por meio de viagens. Tenho muitos amigos que viajam para fora, alguns até emigraram de país. Tanto aqui como lá, percebem que a vida é dura, há problemas etc.

Muitos são de linhagem católica, mas hoje se encontram naquela situação de secularização e mundanidade. Deixaram há tempos de ir à Santa Missa. Esses amigos ficam muito animados ao chegarem a igrejas, mosteiros, conventos, capelas, pagam a entrada e visitam, tiram várias fotos e elogiam muito... Só que a ficha não cai rs. Não se tocam. Não ouvem o chamado de Deus. Vão ao Sacré Coeur, à Notre Dame de Paris, às ruínas do convento A, da abadia B, e só os veem como pontos turísticos.

Pessoas mundanas se cansam em demasia, e se decepcionam muito, e reclamam uma infinidade, mas não chegam ao ponto de considerar que é preciso se reconverter à fé católica para seguir na vida como Filhos e Filhas de Deus
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0 # HUMBERTO JOSE DA SIL 20-12-2017 01:42
Excelente explicação, um patrimônio histórico e artístico cultural, não é mensurável para ser vendido, desfazer de um patrimônio deste porte não resolve a questão da fome e pobreza no mundo
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+2 # Geraldo 20-12-2017 00:57
2) Mas ultimamente, a pesquisa histórica tem sido mais honesta e técnica. Se mergulharmos nas descobertas que tem sido feitas acerca da Idade Média - até mesmo por historiadores ateus - deveríamos chama-la de IDADE da LUZ (aliás é um belo tópico para o Paulo Ricardo abordar, se já não o fez). É a idade de empresas (guildas) que eram verdadeiras famílias, das terras paroquiais onde o mais pobrezinho podia plantar e colher o que precisasse para se sustentar, da invenção do hospital (antes os doentes eram descartados como lixo e agora o mundo quer voltar a esse costume hediondo) , da severa condenação do empréstimo a juros. A idade que conheceu mulheres cientistas de amplo saber como Hildegarda de Bingen, de mulheres governantes (rainhas e abadessas) respeitadíssimas, de universidades e escolas gratuitas, de debates realmente honestos, etc. Nada de endeusar uma época. Mas as principais estruturas do mundo de hoje, surgem ali naquele tempo onde Cristo era o centro de tudo.
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+4 # Geraldo 20-12-2017 00:48
1) Sem falar que, historicamente, a vinda do Filho de Deus feito homem no nosso mundo, foi o fator que mais gerou a justiça e a fraternidade, trazendo as únicas mudanças realmente estruturais e duradouras, porque geradoras de cultura. Uma cultura que nasce de corações transformados por um Amor que nos amou primeiro! Marx dizia que a religião é o ópio do povo porque promete o céu e não se compromete com a justiça na terra. Mas o belo paradoxo da fé católica é exatamente este: as pessoas que mais andaram com o coração no céu, foram as que mais fizeram o bem cá na terra. O Antônio Abujamra sempre fazia a seguinte pergunta no programa dele: "quem tem feito maior mal no mundo, a religião ou os bancos?" Quem conhecia bem o velho comunista, sabe que ele tinha em mente o catolicismo. E as respostas que ele ouvia (bem como a pergunta feita) davam como coisa indiscutível , o mal que a igreja tem feito ao mundo, um velho mito iluminista e protestante que virou lugar comum pra muita gente.
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+2 # lucia vieira wass 19-12-2017 21:54
Muito esclarecedor. Obrigada pelas informacoes dadas e nescessarias para os desinformados.
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+4 # Roberta Fernanda 19-12-2017 12:22
Excelente texto!!! Parabéns Catequistas,como sempre vocês arrasam!!
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+8 # Rafael 19-12-2017 11:34
Bom dia.

Parabéns pelo texto. Penso que sugerir vender todos os bens do Vaticano para acabar com a fome dos pobres nem pode ser chamado de argumento. Ou é uma sugestão capciosa para pegar algum cristão desprevenido ou é apenas burrice mesmo.

Saudações fraternas!
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