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Terça, 23 Janeiro 2018 18:23

Eunucos por amor ao Reino dos Céus

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Um dos impulsos mais fortes do ser humano é aquele que gera o desejo de se unir intimamente ao sexo oposto e de formar uma família. Por isso o caminho mais frequente de vida é o do matrimônio. Contudo há um grande número de pessoas que são chamadas especialmente por Deus a viver como os anjos vivem nos Céus: não se casam nem se dão em casamento.

Essa vocação foi intuída até mesmo por muitos povos pagãos. No Egito Antigo, as sacerdotisas que serviam nos templos faziam o voto sagrado de se manterem sempre virgens. Na Antiga Roma havia também as virgens vestais, que serviam no templo da deusa Vesta. No cristianismo, os homens e mulheres vocacionados ao celibato desejam, antes de tudo, imitar Jesus de forma radical

No caso dos homens, a vocação ao celibato é anterior à vocação ao sacerdócio. Por isso, não é porque um rapaz decide viver como celibatário que ele, necessariamente, se tornará padre. São Francisco de Assis, por exemplo, fez voto de castidade, mas jamais pretendeu ser sacerdote. O celibato, portanto, não nasceu em função do sacerdócio. A Igreja é que, em sua sabedoria, seleciona entre os vocacionados à vida celibatária os seus candidatos a padres.

Na Bíblia, essa é a principal referência à vocação ao celibato:

Nem todos são capazes de compreender o sentido desta palavra, mas somente aqueles a quem foi dado. Porque há eunucos que o são desde o ventre de suas mães, há eunucos tornados tais pelas mãos dos homens e há eunucos que a si mesmos se fizeram eunucos por amor do Reino dos céus. Quem puder compreender, compreenda. (Mt 19, 11-12).

Nessa passagem, Jesus previu que muitos não teriam a capacidade de compreender a vocação ao celibato como um dom valioso e especial de Deus. Por isso essa vocação é tão atacada, até mesmo por católicos ignorantes.

Certa vez, ouvi uma freira da minha paróquia agradecer a Deus pelas rugas que começavam a surgir em torno de seus lindos os olhos azuis. Ela dizia: "Desde jovem falam que sou bonita demais, que eu tinha era que me casar. Agora estou com esses pés de galinha, já não ouço mais isso!". Ei, gente: dragão é com São Jorge, não é com Jesus não! E quem faz esse tipo de comentário merece é isso aqui:

Cada escândalo sexual protagonizado por membros do clero católico é usado como munição pelos inimigos da Igreja, que disparam contra a obrigação do celibato clerical. Como se não houvesse gravíssimos e frequentes desvios e escândalos sexuais entre pessoas casadas! O Rei Davi que o diga: tinha várias mulheres e concubinas, e ainda assim foi ciscar no quintal alheio...

São Paulo é muito claro em seu conselho de que o estado ideal de vida é o celibatário, pois assim é possível servir a Deus “sem partilha”, de forma mais integral. Entretanto, ele reconhece que esse chamado não é para todos:

Pois quereria que todos fossem como eu; mas cada um tem de Deus um dom particular: uns este, outros aquele. Aos solteiros e às viúvas, digo que lhes é bom se permanecerem assim, como eu. Mas, se não podem guardar a continência, casem-se. É melhor casar do que abrasar-se. (I Cor 7, 7-9)

Quisera ver-vos livres de toda preocupação. O solteiro cuida das coisas que são do Senhor, de como agradar ao Senhor. O casado preocupa-se com as coisas do mundo, procurando agradar à sua esposa. A mesma diferença existe com a mulher solteira ou a virgem. Aquela que não é casada cuida das coisas do Senhor, para ser santa no corpo e no espírito; mas a casada cuida das coisas do mundo, procurando agradar ao marido. Digo isto para vosso proveito, não para vos estender um laço, mas para vos ensinar o que melhor convém, o que vos poderá unir ao Senhor sem partilha. (I Cor 7, 32-35)

No último livro da Bíblia, o Apocalipse, também há uma referência belíssima àqueles que seguiram Jesus fielmente no caminho da virgindade:

Cantavam como que um cântico novo diante do trono, diante dos quatro Animais e dos Anciãos. Ninguém podia aprender este cântico, a não ser aqueles cento e quarenta e quatro mil que foram resgatados da terra. Estes são os que não se contaminaram com mulheres, pois são virgens. São eles que acompanham o Cordeiro por onde quer que vá; foram resgatados dentre os homens, como primícias oferecidas a Deus e ao Cordeiro. (Apo 14, 3-4)

A despeito das palavras de Cristo sobre os “eunucos” por amor ao Reino dos Céus, dos conselhos de São Paulo e da visão de São João da multidão de virgens no Apocalipse, quase não se vê líderes protestantes ou “evangélicos” vocacionados ao celibato. Curioso, não? Afinal, eles gostam tanto de se gabar que são os autênticos seguidores da Bíblia e da Igreja primitiva... Aham...

*****

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821 Quarta, 24 Janeiro 2018 14:42

Comentários   

+1 # Yan R. 26-01-2018 10:37
Olá O Catequista!
Obrigado por tirarem as minhas dúvidas até agora, eu queria dar uma sugestão: vocês poderiam fazer um post sobre as roupas, os paramentos e os acessórios que o Papa usa , falando qual é o significado e o seu uso litúrgico ou nao liturgico e poderia adicionar fotos para ilustrar , acho que ficaria um post bem informativo e bem interessante!
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# Geraldo 26-01-2018 01:22
Comentei sobre a máxima realização da sexualidade humana que é a maternidade ou paternidade e que o celibatário, irmão ou irmã (e, sobretudo, o padre, como o próprio nome indica) vivem isso (ou devem viver) em grau ótimo. Nesse sentido, me senti muito tocado pelo testemunho (abaixo) deste jovem padre, simples, profundo e até mesmo divertido. Aqui fica claríssimo que , só aquele que tem um grande dom de paternidade pode realmente ser sacerdote na igreja de Deus: https://www.youtube.com/watch?v=TWnD_RIxo-I
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# Geraldo 26-01-2018 01:05
Quatro pitacos:

1) Embora isso seja da nossa tradição (sobretudo em S.Agostinho e S.João da Cruz) li - também - sobre o sentido místico e afetivo do celibato num teólogo protestante (não me lembro qual agora ) que dizia de um enamoramento radical do celibatário por Cristo: tão visceral que preenche todo o coração (para "cujo desejo o oceano todo é só uma gota"*) não sobrando espaço para nenhum outro apego;

2) E, é claro, no amor total de Cristo e por Cristo, ele/ela ama de modo radical a humanidade e cada pessoa humana;

3) Por isso, ele/a não são "solteirões" mas atingem o ponto alto da masculinidade/feminilidade: a paternidade/maternidade;

4) E, embora o celibato não tenha nascido em função do sacerdócio, as duas coisas sempre foram muito unidas desde o remoto início da fé cristã: https://www.youtube.com/watch?v=Ngy_RM_cJ78

* Adélia Prado
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0 # Mário Po 25-01-2018 07:18
Olá, moro no exterior e gostaria de fazer alguma contribuição ao Catequista. No entanto, o site Catarse não permite pagamentos com PayPal, que é a única forma que teria para fazê-lo. Gostaria de registrar a sugestão de usar outro site mais flexível para fazer doações. Um abraço.
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0 # A Catequista 25-01-2018 12:59
Mário, o Catarse tem o plano de, em breve, implementar um meio de receber pagamentos do exterior. Quando isso for concretizado, te mandaremos um e-mail avisando.

Obrigada pela força!
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+1 # Robson Landim 25-01-2018 02:49
Caros amigoa catequistas... que alegria ler esse post. Não sou religioso, mas sou celibatário pelo Reino dos Céus numa Nova Comunidade chamada Cristo Libertador.

É uma vocação incompreendida, mas muito bela. Ser celibatário é ser cura para os irmãos, é ser de todos e encontrar a realização daquilo que o Cristo diz sobre termos muito mais irmãos, pais e mães.

Obrigado por esse valioso artigo. Rezem por mim!
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+1 # Luiz Fernando Assad 24-01-2018 17:42
To gostando de ver a quantidade de posts! Parabéns!

Post muito bom, lotado de referências bíblicas e históricas. Como sempre, mandaram muito bem. Rezo pela vocação e pelos projetos que Deus tem para o futuro dessa obra!
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0 # A Catequista 25-01-2018 13:03
Agradecemos muito suas orações, Luiz!
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