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Sexta, 01 Dezembro 2017 12:59

"Missa afro" é abuso litúrgico e sincretismo

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Como vivem os negros no Brasil? Que lugares frequentam? Ora, vivem como todos os demais brasileiros de outras etnias, e frequentam os mesmos lugares dos demais! Aqui não existe escola afro, universidade afro, cinema afro, supermercado afro, shopping afro, parque de diversão afro... No máximo há salões de beleza afro, especializados em cabelos crespos. De resto, os costumes de brancos e negros em nada se diferenciam em nosso país. Até mesmo o Candomblé e Umbanda têm tantos adeptos negros quanto brancos.

Então, qual a necessidade de promover missas "afro", se os negros aqui vivem integrados com os brancos? Se os negros frequentam as mesmas lojas, escolas, locais de entretenimento que os brancos, por que precisariam de uma missa diferente do restante da população? 

A encíclica Sacrossantum Concilium permite fazer adaptações na liturgia, absorvendo elementos da cultura de cada povo. Isso faz parte do processo de inculturação. Só que missa afro não é inculturação, é palhaçada idelógica e abuso litúrgico!

AVISO: o vídeo a seguir contém cenas fortes. Não é recomendado para católicos fiéis com problemas cardíacos e gestantes. Tirem as crianças da sala!!! Trata-se de uma missa afro realizada em São Paulo, em 2007. As cenas que aparecem a partir dos 3:45 min. são especialmente toscas: um casal sacoleja diante do altar ao som de "Pérola Negra", de Daniela Mercury! De fato, uma pérola do sacrilégio nacional...

Essa "liturgia pirata" parte de uma caricatura: é como se os negros tivessem migrado ontem da África, e assim necessitassem de uma liturgia especialmente adaptada para que o anúncio do Evangelho seja viável.

O que será que São João Paulo II achava disso? Confiram suas palavras aos bispos do Regional Sul I, em 2003:

“Certamente, não é possível descurar aqui a consideração da cultura afro-brasileira (...). Trata-se da delicada questão de aculturação, especialmente nos ritos litúrgicos, no vocabulário, a nas expressões musicais e corporais típicas da cultura afro-brasileira. (...) “É evidente, porém, que se estaria distanciando da finalidade específica da evangelização, acentuar um destes elementos formadores da cultura brasileira, isolá-lo deste processo interativo tão enriquecedor, de modo quase a se tornar necessária a criação de uma nova liturgia própria para as pessoas de cor. Seria incomprensível dar ao rito litúrgico uma apresentação externa e uma estruturaçãonas vestes, na linguagem, no canto, nas cerimônias e objetos litúrgicosbaseada nos assim chamados cultos afro-brasileiros, sem a rigorosa aplicação de um discernimento sério e profundo acerca da sua compatibilidade com a Verdade revelada por Jesus Cristo. 

O problema mais grave é que ideia daqueles que promovem as missas afro não é convidar os não-católicos à conversão; é, sim, incentivar as pessoas a conciliar a fé cristã e o culto aos Orixás. É muito comum ver pessoas nessas missas com colares de contas (guias de Orixás) no pescoço, e até padres com o tradicional gorro de pai-de-santo sobre a cabeça (também chamado de filá, eketé ou bubú). Veja essa declaração infeliz de Dom José Maria Pires, arcebispo emérito da Paraíba:

“Acreditamos cada vez mais fortemente que é possível o negro ser discípulo de Cristo e viver na Igreja sem deixar de ser negro, sem renunciar a sua cultura, sem ter de abandonar a religião dos Orixás.” 

- PIRES, Dom José Maria. O Deus da vida nas comunidades afro-americanas e caribenhas. In: ATABAQUE – Cultura Negra e Teologia/ASETT – Associação Ecumênica de Teólogos do Terceiro Mundo. Teologia Afro-Americana. II Consulta Ecumênica de Teologia e Culturas Afro-Americana e Caribenha. São Paulo: Paulus, 1997. p.31

Entendeu agora? Esses caras acham que um negro que renuncia à crença nos Orixás é “menos negro”, pois sofre um prejuízo cultural ao renegar a fé de seus "ancestrais" (o detalhe interessante é que quase todos os negros brasileiros têm acentrais tanto negros quanto brancos). Definitivamente, padres sincretistas têm pipoca no lugar do cérebro, só pode! 

São João Paulo II ensinou que “A Missa torna presente o sacrifício da cruz” (saiba mais aqui). Missa é para cultuar nosso Deus, não para exaltar a negritude, o acarajé nem muito menos o líder quilombola Zumbi dos Palmares (que não era católico, era um assassino e ainda por cima tinha escravos negros). 

O QUE ENSINA A SACROSSANCTUM CONCILIUM

Sacrosanctum Concilium diz que nenhum padre tem direito de inventar, de acrescentar NADA na liturgia da Missa. A única autoridade competente para isso é a Santa Sé, por meio da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos.

O bispo de cada diocese também pode atuar como regulador, mas de forma limitada, ou seja, DENTRO DOS LIMITES ESTABELECIDOS PELA IGREJA. Assim, nem mesmo o bispo tem direito de autorizar qualquer inovação litúrgica que leve o povo ao sincretismo!

“Como estão distantes de tudo isto quantos, em nome da inculturação, decaem no sincretismo introduzindo ritos tomados de outras religiões ou particularismos culturais na celebração da Santa Missa!” 

- Bento XVI aos Prelados da CNBB. Visita Ad Limina Apostolorum. 15/04/2010

Para terminar, compare as imagens ridículas do vídeo que mostramos acima com as imagens abaixo, que mostram a procissão de entrada de uma missa em Bié, em Angola. Vemos claramente os elementos da cultura africana sendo colocados a serviço da liturgia, e não usando a missa para fazer exaltação da cultura africana. Todos estão reverentes, não há ninguém rodopiando, não há ninguém trajando colares ou indumentárias de crenças pagãs. Não é uma missa afro, é uma missa de Rito Latino celebrada dignamente por africanos! 

*****

16396 Sábado, 02 Dezembro 2017 18:28

Comentários   

0 # Rafael 11-12-2017 22:32
Que Nosso Senhor Jesus, por Maria Santíssima, nos ajude em meio a tanta confusão. Sincretismo religioso não é de Deus, é coisa dos inimigos Dele!
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0 # José Menezes 08-12-2017 11:32
Catequistas,
Esse ano participei de um congresso catequetico na minha diocese, Garanhuns.
Os coferencistas falavam muito em inspiração catecumenal na catequese.
A CNBB inclusive lança o documento 107 pra tratar disso.
Desde que sou catequista, há 3 anos ouço falar disso, mas ainda não compreendi com clareza esse caminho.
Gostaria de saber, vcs faz catequese assim? Se sim, como acontece na prática? QUAIS OS FRUTOS? Queria tanto ver cases de sucesso, mas só ouço teoria e instruções. Difícil aplicar.

Agradeço a disposição.
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+1 # Luciano Rodrigues Pe 07-12-2017 21:22
De acordo, análise muito apropriada. A liturgia católica é única, comporta algumas variações, mas não convém os excessos.
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0 # Augusto Santos 03-12-2017 16:15
preciso de um resposta de quem puder me ajudar.
A chamada Missa Luba foi só um experimento musical sem pretensão de ser celebrada ou ela já foi celebrada e aceita pelo Papa Paulo VI, conforme eu já li antes?
Desde já, muito obrigado

a respeito da Missa Luba:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Missa_Luba
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-8 # MATHEUS 03-12-2017 16:02
Esse assunto é muito delicado e deve ser conduzido como tal por três motivos:
1) Como o próprio post esclareceu, muitos bispos ensinam que é correto. Permitem e celebram missas "afro", como aqui na minha diocese;
2) O vergonhoso racismo do povo católico que, muitas vezes, quer corrigir tal prática, mas acaba tecendo comentários puramente racistas e gerando feridas profundas;
3) O trabalho da Pastoral Afro é importantíssimo e deve ser incentivado.

A Pastoral Afro precisa descobrir que essa promoção cultural não se encaixa ao momento da santa missa. É um evento que necessita de um momento mais propício, para que o trabalho alcance a sua eficácia. Mas isso só acontecerá com a correção fraterna, pois quem apóia essa prática já está muito ferido com comentários racistas que existem aos montes no meio católico, e isso atrapalha MUITO que cheguemos à um entendimento.
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+3 # Augusto 07-12-2017 03:25
eu só posso concordar com vc se vc me der um exemplo documentado (print, link, citação), etc. que demonstre que existe racismo intrinseco ao povo católico brasileiro. Geralmente a galera racista é a direita burra e macaca da direita norte americana, não os conservadores católicos (em termos de Brasil).
Não existe cultura melhor ou pior: existe cultura mais desenvolvida que a outra. É ó Pai das Vritudes, o Espírito Santo, que permite tal desenvolvimento. Se o cristianismo tivesse florecido na África como floresceu na Europa ele teria uma "roupagem" diferente, mas seria igualmente católico.
Tendo isso em mente, não devemos deixar que tradição cultural nenhuma morra, mas seja purificada de seus pecados.
Mas a missa não é lugar para isso, e é canalhice acusar de racistas os católicos que estejam irados com o Sacrifício do Calvário ter sido banalizado.
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+3 # Gustavo Monteiro 04-12-2017 18:21
Matheus, por favor, tire uma dúvida: o que é racismo? e o que é racismo do povo católico? Uma "pastoral afro" não seria tão segregacionista e racista quanto uma "euro-pastoral" ou uma "pastoral branca"? Se Cristo é aberto a TODOS (Mateus 11:28) por que da existência de uma igreja exclusiva para determinados grupos ?
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+2 # Augusto 07-12-2017 03:14
Acho que a palavra "pastoral" aqui é que é problemática.

Ora, nem tudo tem de ser tratado por uma "pastoral". O verdadeiro dia da consciência negra no Brasil não é o 20/11, data da morte de uma fraude psicótica construida. É na verdade o dia 20/09 (ou no domingo posterior), a Festa de São Benedito, comemorada na Cidade Tietê. Uma festa CATÓLICA que nasceu organicamente na Terra de Santa Cruz, onde as tradições culturais africanas são transmitidas em harmonia com a Igreja (quer dizer, sempre rola um pouco de T.L, mas aí a culpa não é da data, que vem de séculos antes dos infiltrados marxistas).


Vai ter gente torcendo o nariz para a data, claro que vai. Hipócritas que não criticam com a mesma voracidade a Festa de Nossa Senhora Achiropita (tradição Italiana pura). Esses hipócritas que prestem contas para o Senhor.
Mas mexer na sacralidade da Missa é objetivamente injustificável, sem sombra de dúvida.
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0 # Samara 06-12-2017 15:27
Juridicamente, racismo se configura quando alguém impede a liberdade de locomoção de outrem (ir, vir, permanecer) por razões de cor, etnia, religião, procedência nacional etc. Nunca vi ninguém impedindo quem quer que seja de entrar na Igreja por conta da cor da pele. Em alguns e salutares casos, já vi relatos de quem não pode entrar por estar em trajes imorais (única hipótese que soube de alguém ser barrado). Mas pela cor da pele, nunca.
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0 # Elton 02-12-2017 15:41
Gostei muito da música que os angolanos cantaram na procissão de entrada!
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0 # A Catequista 02-12-2017 18:32
De fato! Letra:
"São Paulo discípulo de Cristo ,
Vinde em nosso auxílio!
Para Jerusalém celeste,
Somos um povo a caminhar.
Santos ajudai-nos!"
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+3 # Geraldo 02-12-2017 14:29
É bom frisar essa coisa da pluralidade cultural e multi-culturalismo, pois é dentro dessa lógica que aparecem as propostas de liturgia inculturada, Teologia do Pluralismo Religioso, Ensino Religioso não confessional , etc. O pretexto, no discurso, é sempre o mesmo: valorizar a diversidade, garantir o direito às identidades culturais para criar a tolerância e a paz. Mas a origem política (que boa parte dos discursadores desconhece, sendo meras peças do jogo) é bem outra e nada tem de plural: a mistura cultural alegada é feita na panela de um só e mexida com a colher de um só, segundo a receita dele: destruição de qualquer pegada que Jesus Cristo tenha deixado na história e na cultura humana para impor a MONOCULTURA dos donos da panela. E isso pode ser feito também (e sobretudo!) desfigurando-se o rosto de Cristo, fazendo dele um "socialista hippie" (para usar a expressão de um leitor aqui do site). Isso não tem nada de plural e é bem totalitário.
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+2 # Samara 06-12-2017 15:30
A 4ª revolução, que pretende transformar toda a humanidade em uma tribo igualitária e sem Deus.
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+2 # Alex Hoffmann 03-12-2017 00:39
Bem vindo a aula de ensino religioso escolar de Santa Catarina. Tolerante, pluralista, inculturada, boazinha, valorizante da espiritualidade subjetiva onde tudo vale e tudo é de deus (em minúsculo pois ao Deus Verdadeiro se diz Não) e as religiões não prestam.
Jesus, Maomé, Buda, Shiva e tudo quanto é nome de deus pagão vale, tudo é divino e legal. Só não pode falar da Igreja Católica.
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+14 # Geraldo 02-12-2017 00:02
Fui missionário no Timor por anos e vi como o povo de lá lota as igrejas e acompanha com reverência a liturgia em plena fidelidade à tradição do rito latino. Homens e jovens participam em massa e com entusiasmo. Ninguém vai embora na benção final. Permanecem até o término do canto final e muitos ainda ficam para rezar mais. Religiosos estrangeiros que chegam querendo improvisar al "inculturações" não são bem vistos pelo povo. Certamente, quanto mais profundo for o encontro de Cristo com aquela cultura, mais a liturgia tenderá a absorver algum elemento dela já tocado e transformado pelo Evangelho. Mas isso não é algo que se fabrica. Os numerosos ritos católicos (ocidentais e orientais) mostram que isso brota de uma longa fecundação da cultura e não da cabeça "iluminada" de ideólogos multiculturalistas que usam a missa para impor o seu próprio recorte daquela cultura num viés nada inculturado e muito estrangeiro; isto é: marxista.
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+5 # Henrique 01-12-2017 18:10
Isso aconteceu aqui em Franca-SP semana passada, é o fim mesmo, e o pior é que tem um monte de " católico fakes" aprovando esse abuso.
http://gcn.net.br/noticias/366024/franca/2017/11/missa-afro-emociona-mais-de-mil-pessoas-no-coracao-de-jesus;
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