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Terça, 18 Abril 2017 21:34

O pensamento do Papa Francisco sobre o protestantismo, antes dele ser papa: você vai ficar bege!

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Em 2016, o Papa Francisco causou perplexidade entre uma multidão de católicos ao participar da celebração dos 500 anos da Reforma Protestante, na Suécia. Aquele dia foi loko!

Porém, há cerca de 30 anos, o então padre Jorge Bergoglio estava em outra vibe: dizia com todas as letras que Lutero era herege, mas havia alguém que conseguia ser pior do que ele: Calvino, um verdadeiro "carrasco espiritual".

O padre Bergoglio denunciou ainda que a intensa secularização do Ocidente e o ateísmo crescente eram consequência, antes de tudo, do luteranismo (sobre esse fato, já falamos antes aqui).

Quem gostou, joga as mãozinhas pro ar e bate palmas!!!!

Tudo isso foi dito em uma palestra em 1985, na Argentina, cujo conteúdo foi publicado em 2014, no livro Chi sono i gesuiti, da editora EMI.

Aí vêm as perguntas: com o passar dos anos, então, o Papa argentino teria mudado sua visão sobre a Deforma Protestante?

Para saber ao certo, só perguntando para o próprio. A nós, resta dar um chute: o Papa Francisco não mudou de ideia, apenas resolveu olhar a Deforma a partir de outro ângulo.

A Deforma Protestante foi uma imensa desgraça, mas o bispo de Roma enxergou na celebração dos 500 anos uma oportunidade de dar passos para a reconciliação da cristandade dividida. E o que ele diz não é mentira: ainda que de forma vil, a Deforma teve o efeito positivo de acelerar o movimento de reforma interna na Igreja Católica.

A Deforma foi um mal? Ô se foi! Mas há males que vêm para o bem. Como bem pontuou o historiador católico Daniel-Rops, sobre Lutero:

“O seu papel na História da Igreja foi em muitos pontos considerável; dir-se-ia providencial. (...) ... enfrentando a Igreja tragicamente, duramente, tragicamente, nos seus problemas, não foi ele quem a obrigou a sair desse mar de lama, de facilidade e de conveniências, em que o melhor da alma cristã se enterrava?. Sem ele, sem o medo que suscitou, teria a Igreja empreendido a reforma autêntica, levada a cabo na fidelidade e na disciplina, cuja necessidade tantos espíritos conheciam, mas que tão poucos homens de caráter ousavam realizar?”

- A Igreja da Renascença e da Reforma

Ainda assim, celebrar os 500 anos da Deforma não foi atitude uma controversa? Sim! Mas, como filhos, devemos dar um voto de confiança a esse nosso pai, doce Cristo na Terra. Não é uma mudança de doutrina, é uma questão de perspectiva: o Papa está buscando dar foco no que protestantes e católicos têm em comum, e não no que nos separa.

O próprio Catecismo, citando um documento do CV II, ensina que “Aqueles que creem em Cristo e receberam validamente o Batismo encontram-se numa certa comunhão, embora imperfeita, com a Igreja Católica” (ponto 838).

Porém, os papas pré-conciliares já tinham essa visão sobre os nossos irmãos separados. Em carta aos bispos católicos escoceses, o Papa Leão XIII disse:

“Sabemos que muitos dos escoceses, que não concordam conosco na fé, amam sinceramente o nome de Cristo, e se esforçam para averiguar a Sua doutrina e para imitar Seu santíssimo exemplo.”

Caritatis Studium, 25 de julho de 1898

Depois, Pio XII ensinou que muitos protestantes seguiam uma doutrina herética sem culpa própria. Ele disse:

“Não queremos que passe despercebido o grande eco de comovido reconhecimento que vieram suscitar em nosso coração os augúrios daqueles que, se bem não pertençam ao corpo visível da Igreja católica, não se esqueceram, em sua nobreza e sinceridade, de sentir tudo aquilo que, ou por amor à pessoa de Cristo ou pela sua crença em Deus, os unem a nós.”

- encíclica Summi Pontificatus

Como você pode ver, a decisão de enfatizar o que nos une aos protestantes não é nova. Com o Papa Francisco, esse enfoque dá um salto mais amplo do que nunca – um salto cheio de riscos, mas talvez sejam riscos que valham a pena. 

O principal risco dessa celebração ecumênica dos 500 anos da Deforma é o de passar para o mundo a ideia de que a Igreja, agora, entende que o que Lutero fez foi uma coisa boa. De jeito nenhum! Porém, infelizmente, é isso que muita gente está pensando.

Mas, convenhamos: certos vacilos estão dando motivos para isso. Permitir que uma escultura de Lutero fosse colocada em destaque na sala de audiências do Vaticano durante um encontro entre católicos e luteranos foi bem avacalhado, né não? Volta pro mar, oferenda!

Ok, a comunicação do negócio tá confusa, mas precisamos saber que exaltar Lutero não é a intenção do Papa. É o que explica Presidente do Pontifício Comitê das Ciências Históricas, Padre Bernard Ardura (entrevista publicada na Rádio Vaticana):

“Hoje não se trata de dizer que aquilo que fez Lutero tenha sido uma coisa boa, porém, podemos explicar os acontecimentos que levaram à Reforma e os desdobramentos que se seguiram. (...) Isto é, ver qual é o contexto histórico e eclesial em que viveu Lutero, pois sem este conhecimento não se pode entender o que aconteceu sucessivamente em todo o continente europeu.”

O esforço conjunto de católicos e luteranos para chegar a uma narrativa histórica comum sobre a Deforma Protestante resultou em um documento chamado Do Conflito à Comunhão. Seu conteúdo apresenta os argumentos católicos e luteranos, e também o reconhecimento das culpas de um lado e de outro.

Quem acompanhou a nossa série de posts sobre Lutero certamente vai ficar quicando ao ver que Do Conflito à Comunhão apresenta Exú Lulu como um reformador digno e, aparentemente, mais cheio de qualidades do que defeitos. Mas, fora a excessiva condescendência com a ação demoníaca do Pai da Deforma, o documento é muito útil e interessante.

É isso... Olha a celebração ecumênica dos 500 anos da Reforma aí, gente! Quem tá animado pra essa festa, vem comeeeeeeego!

13723 Quarta, 19 Abril 2017 18:04

Comentários   

+1 # Natalia Farias 22-04-2017 18:47
Pessoalmente, vejo o termo supracitado utilizado por Rops para definir a participação de Lutero na deforma (providencial) como de muito mau gosto/inoportuno. As mudanças que sucederam na Igreja, creio eu, viriam pela Providência Divina de qualquer forma. Entendo o que o historiador quis dizer. Mas não vejo providencialidade em Lutero. Este termo induz mais ao erro do que à mensagem que se quis passar. Qualquer mudança ocorrida na Igreja para enfrentar a deforma e seus motivos, foi Misericórdia Divina e não resultado das sandices do Mad MonK. Salve Maria!
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+2 # Sidnei 21-04-2017 16:43
Pelo jeito o Papa Francisco passará pela história como o Papa mais a esquerda que tivemos até hoje. E não adianta tampar o sol com a peneira, que é isto que parece ser mesmo.
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0 # Luis Gustavo 21-04-2017 00:31
Acredito que o Papa Francisco não compartilhe da Reforma como "Deforma"...na verdade para Ele tratava-se de uma "renovação", e não divisão que o Exu LuLu promoveu...misericórdia! Tenho obrigação de respeitar o Papa e rezar por ele todos os dias, mas ta difícil admira lo! "Doce vigário"??? Temo que ele seja uma amarga herança na Igreja.

https://oimparcial.com.br/noticias/2017/01/papa-francisco-diz-que-lutero-queria-renovar-igreja-e-nao-dividi-la/
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+1 # Jennifer 20-04-2017 17:06
Boa tarde!!
Eu tenho uma grande dúvida: existe a Infalabilidade da Igreja e do Papa, mas pelo pouco que li parece que só se aplica aos dogmas, ensinamentos doutrinarios.

Então, baseado nisso, a Igreja pode errar na escolha de um Papa. Isso está correto?
Vejo muitas pessoas falando mal do Papa Francisco, dizendo que ele não é bom para a Igreja e isso me trouxe muitas dúvidas.

Obrigada!
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0 # Francisco Castro 20-04-2017 14:20
O texto apenas comprova que ele mudou de opinião. Aliás ele tambem falou contra os homossexuais e a união civil gay antes de ser papa e depois de papa mudou de atitutde.
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+1 # William Pimentel 19-04-2017 16:30
O verdadeiro papel desse ecumenismo todo é levar a boa nova a todos, devemos lutar para salvar todos, antes do juízo.

A heresia será combatida e muito voltarão ao berço católico. Mas sem se perder nada de aplaudir as heresias e os hereges. É jogar a semente assim como Paulo fez. O povo está na ''vibe'' de Deus vult e condenar ao invés de interpretar o real significado dessa frase! Salve Maria, ótimo texto.
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+4 # Thiago 19-04-2017 12:37
Irmãos separados até onde sei são os ortodoxos e não os protestantes.
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0 # A Catequista 19-04-2017 12:51
São Francisco de Sales foi o primeiro a chamar os protestantes de "irmãos separados". E os documentos da Santa Sé também chamam, como a encíclica Unitatis Reintegratio.
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+1 # stéphanie 19-04-2017 00:54
Catequistas, vcs farão algum post sobre a recusa do papa ao convite para vir às comemorações dos 300 anos de Nossa Senhora? Eu lí a notícia, busquei mais informações na rede e só apareceu blog comuna e podre.
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-1 # Carlos Lima 24-04-2017 23:12
Parece, infelizmente, que algumas vozes da CNBB ecoam no Vaticano, e assim, maior país católico ficará sem a visita do vigário de Cristo neste ano tão especial para nós.
Salve Maria.
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0 # Fábio Ribeiro 20-04-2017 03:07
O que deve contar mais detalhes, porque ele não virá é no link abaixo:

http://www.a12.com/santo-padre/noticias/detalhes/arcebispo-de-aparecida-confirma-que-o-papa-francisco-nao-vira-ao-brasil-em-2017

Entretanto, não sei se tem a ver a carta ao nosso atual presidente.
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+1 # A Catequista 19-04-2017 02:45
A Sala de Imprensa da Santa Sé já divulgou uma nota sobre isso, que publicamos na nossa fanpage:

http://br.radiovaticana.va/news/2017/04/18/nota_sala_de_imprensa_santa_s%C3%A9_sobre_carta_do_papa_e_temer/1306547
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+1 # Sidnei 19-04-2017 10:57
Pode até ser que o Papa não venha por causa de seus inúmeros outros compromissos, porém, já deu pano para manga, tanto do lado dos que não gostam do Papa, dizendo que se a Dilma fosse ainda a presidenta, ele viria numa boa, quanto dos esquerdistas, que utilizarão a recusa a este convite, como uma forma de protesto do Papa a perseguição que estão fazendo com os partidos de esquerda na América Latina, sobre tudo no Brasil e principalmente como o Lula e o PT.
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+2 # luis fernando 20-04-2017 16:17
O mais interessante é que o Papa foi até Cuba (duas vezes) foi na Bolívia, no Equador, no Paraguai, nos Eua na época do Obama (só estou contando os países das américas) e não falou em nenhum momento das crises que esses respectivos países vivem.

Na Venezuela que as coisas estão cada vez piores, ele não se manifesta.

Na Colômbia o povo não quer ver a cara dele, pela ajuda que ele deu ao atual presidente em relação as Farc.

Na Argentina que é pais dele ele não botou os pés depois que ele foi eleito.

Ele não que virá ao Brasil em um dos momentos mais importantes para a Igreja nacional, pois ele teria algum compromisso, e ainda diz que o país passa por um momento conturbado (passa desde da pseudo redemocratização).

Eu não acredito que ele não seja politizado, ele escolhe quem ele vai defender, quem ele vai acusar e o local em que ele fara isso, além de ele possuir amizades suspeitas.
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0 # Fabio Ribeiro 22-04-2017 02:57
Que o Espirito Santo, o guie para o bem da Santa Igreja, como ele guiou os papas insensatos. Essas amizades suspeitas, é dose.
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