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Segunda, 17 Julho 2017 18:09

Eutanásia romanceada nos filmes de Hollywood

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[Este artigo contém spoilers]

Eles começaram devagarinho, comendo pelas beiradas. Primeiro, o governo de diversos países europeus legalizou a morte opcional e assistida para doentes terminais. Agora, já permite que até mesmo pessoas fisicamente saudáveis façam eutanásia: basta alegar que está deprimido e que seu sofrimento é insuportável.

No ano passado, a eutanásia foi legalizada no Canadá. Os agentes da cultura da morte agora voltam sua atenção para os Estados Unidos, uma das nações mais influentes do mundo. A estratégia é fazer aumentar a demanda pela eutanásia, levando os cidadãos a pressionarem o governo a modificar a lei.

A forma mais eficiente de fazer isso é por meio da cultura de massa. E não há nada mais pop nos EUA do que os filmes de Hollywood. É por isso que a temática da eutanásia ganha cada vez mais espaço nesse campo – o que atinge não somente o público americano, mas também as pessoas de todos os países que consomem esses filmes.

Mesmo os cristãos mais devotos, ao verem esse tipo de filme de forma desprevenida, correm o risco de acabar comprando a ideologia imoral e ateísta que eles vendem. Não acho que não devemos assisti-los; só é preciso estar alertas, pois atrás de cada cena cativante pode haver um engodo imoral e anticristão.

Há diversos filmes que abordam esse assunto, mas vamos falar de dois, que são bastante populares: Menina de Ouro e Como eu era antes de você.

 

“MENINA DE OURO” (2005)

Um dos filmes mais premiados e mais vistos que propagandeia a eutanásia é Menina de Ouro, estrelado por Clint Eastwood. A personagem Maggie Fitzgerald é uma jovem como milhões de outra no mundo: é pobre, tem uma vida dura, trabalha em um emprego que não lhe dá nenhuma perspectiva de crescimento profissional. Sua família não lhe dá nenhum suporte afetivo ou material.

A esperança de Maggie é o boxe. Ela consegue convencer um treinador veterano a treiná-la, e faz um incrível avanço. Após vencer várias lutas importantes, ela vislumbra o seu sucesso e a mudança para uma vida melhor. E é justamente nesse momento que ela fica tetraplégica, e vê todos os seus sonhos se tornarem pó.

O pior é que sua família, que só tem gente cretina, se aproxima dela para sugar os poucos bens que ela conquistou com suas lutas. Na cama do hospital, ela implora que seu treinador lhe aplique uma injeção letal, e é o que ele faz.

 

“COMO EU ERA ANTES DE VOCÊ” (2016)

Will Traynor tinha uma vida “perfeita”: era jovem, rico, advogado talentoso, viajava o mundo, tinha pais carinhosos e uma linda namorada. Um acidente, porém, o tornou tetraplégico, de modo irreversível.

Sem qualquer esperança de ser feliz nessa nova condição de vida, ele planeja se submeter à eutanásia em uma clínica na Suíça.

Sua cuidadora, a jovem Lou Clark, se apaixona por ele, e faz de tudo para convencê-lo a continuar vivo, ao lado dela. Eles passam muitos bons momentos juntos, e isso a leva a crer que terá sucesso em fazê-lo mudar de ideia. Mas a resposta dele é categórica: “Eu entendo que podia ser uma vida boa, mas não é a minha vida. Não chega nem perto”.

A única coisa que Traynor aceita como “vida” é a “perfeição” de antes do acidente. Uma vida cheia de limitações e dores não faz nenhum sentido para ele.

 

UM MUNDO SEM CRISTO, UM MUNDO DE ODEIA A CRUZ

Além da temática, esses dois filmes têm muitas outras coisas em comum. É óbvia a intenção de ganhar a opinião do público por meio da narrativa sentimental. E, basicamente, são filmes em que Deus está ausente, Cristo é uma abstração.

Até existe religião (em ambos, há referência ao catolicismo), mas apresentada de uma forma que não apresenta respostas nem ajuda objetiva para que os personagens resolvam seus dramas.

São basicamente filmes contados do ponto de vista ateu, e dessa forma, realmente o sofrimento não faz sentido algum. Só resta às pessoas buscar o Paraíso aqui e agora. Se a vida contraria esse desejo e apresenta uma via de sofrimento, em nenhum momento se cogita que abraçar a cruz pode ser um caminho de libertação pessoal e realização de si mesmo.

Assistir esses filmes com a consciência correta nos aguça ainda mais o sentido de urgência de anunciar Cristo ao mundo. Sem Jesus, toda dor é completamente idiota, sem objetivo, sem sentido. E a única opção diante do sofrimento é o desespero e o desejo de pôr fim a tudo.

Fiquemos atentos a essa mentalidade de ódio à cruz: ainda que rejeitemos a eutanásia, muitos de nós cristãos absorvemos a ilusão materialista de que vamos construir nosso Paraíso aqui na Terra. E assim muitas vezes fugimos da cruz que Jesus nos apresenta, mesmo aquelas cruzes mais pequeninas.

E assim vamos à missa, temos lá nossos momentos de devoção, falamos de Cristo, mas não somos realmente capazes de anunciá-lo. São servos que querem ser maiores do que o Senhor: não querem sofrer perseguições. Quem não toma a sua cruz, pode ser digno do Crucificado? Quem não toma a sua cruz, poderá participar com ele da alegria da Ressurreição?

11588 Terça, 18 Julho 2017 14:38

Comentários   

+2 # Beatriz 29-07-2017 05:09
Gente, a ficção é bastante perigosa, principalmente para aqueles que não estão bastante arraigados nos ensinamentos da Igreja. Uma aula extraordinária a respeito disso é ministrada pela Professora Ivone Fedeli, da Montfort. Recomendo a todos que, por um momento, esqueçam essas tretas do Vaticano II e assistam à aula sem preconceitos.

Pude identificar as raízes de alguns dos meus comportamentos e ideias eivados de vícios do meu período adolescente... Abriu meus olhos para muitas coisas.
https://youtu.be/79jaY4kOWo8
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+1 # Pe.Orlando Henriques 21-07-2017 14:38
Filmes que são «contados do ponto de vista ateu» há muitos, mas, infelizmente, há agentes de pastoral juvenil que ainda são capazes de os exibir num encontro de jovens para, na sua ingenuidade, tentarem tirar dali algum resultado pastoral.

É o caso do filme "Chocolate", por exemplo. Conheço quem o tenha mostrado aos jovens em encontros e campos de férias da Igreja e chamei a atenção: «Mas olha que esse filme é contra a Igreja e contra os valores cristãos e só vai passar aos jovens uma imagem distorcida da Igreja». Resposta: «Ah, mas a Igreja não é aquilo que o filme mostra, a Igreja é uma coisa diferente daquilo», ao que eu respondi: «Pois, mas isso é para ti, que tens essa capacidade de distinguir as coisas; nos jovens vai ter um efeito anti-pastoral».
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0 # Pedro Vinicius do Na 20-07-2017 18:06
Parabéns pelo post! Eu gostei bastante, estou atravessando um momento muito difícil e complicado na minha vida, se não fosse a fé que eu tenho em Cristo e na Igreja é bem possível que eu tivesse feito algo parecido com os protagonistas dos filmes. O que eu gostaria de saber é como podemos concretamente ajudar essas pessoas? Para além do foi dito acima. Agradeço desde já.
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+1 # João Pedro Strabelli 20-07-2017 12:03
Posso fazer uma crítica a nós, católicos? Nós somos péssimos em fazer obras católicas. Lembra aquela parábola do administrador que alivia a dívida de todo mundo quando sabe que vai ser mandado embora? Jesus diz que somos muito espertos para as coisas do mundo mas tremendas toupeiras quando cuidados das coisas de Deus.

Esses caras sabem que um filme para ter sucesso precisa ter dúvidas, discussões, aprofundamento, tensões e deixar o público resolver a questão final, porque eles sabem que a mensagem foi passada muito sutilmente e que muitos serão contra mais muitos serão a favor.

Se um de nós for criar um filme já vai começar dando a resposta e criticando quem não pensar assim e daí só nós mesmos vamos assistir, às vezes por desencargo de consciência. Se é assim que funciona, é assim que temos que fazer. Estou falando isso porque sinto falta de obras católicas bem feitas. E como sinto!
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0 # Helenna 22-08-2017 00:45
Existe um pessoal mexicano que faz filmes incríveis, 'hollywoodianos' com contéudo por assim dizer. Eles têm ótimos financiadores, boa divulgação e boas ideias. O principal expoente desse grupo é o ator Eduardo Verastegui, ele próprio passou por uma conversão e percebeu o quanto influenciava negativamente os jovens e ajudava a propagar determinados estereotipos. O principal filme do grupo é Bella, que mostrou força ao ajudar milhares de jovens a não abortarem. Outros filmes deles são Cristiada e Little Boy. Ainda são poucos, mas devagar vamos pavimentando o caminho nesse meio.
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0 # Priscila 18-07-2017 13:25
Muito bem observado, Larissa. É por esse egoísmo que o demônio vem tentando ganhar o mundo. Esses personagens vivem para alcançar seus objetivos, seus desejos. Cadê a palavra da Cruz falada por Cristo?
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0 # ANA CASSIA 17-07-2017 22:32
Obrigada por me lembrarem da Cruz, até as pequeninas.

;)
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+3 # Larissa 17-07-2017 18:53
Assisti esses dois filmes e o que percebi, q os produtores tentam a todo custo esconder, é o egoísmo dessas pessoas que querem se matar.

A protagonista de menina de ouro só pensava em si, no seu sucesso, no seu nome estampado em todos os lugares, tanto q fez de tudo para convencer o treinador a fazer a vontade dela, pro que ela queria. A mesma coisa com o Will, ele só pensava nele, no "bem estar" dele, tanto q ele n se importava nem um pouco em ser gentil com as pessoas, principalmente com as que amavam e queriam o bem dele. Ele não pensou na mãe, no pai nem na menina que ele sabia que estava apaixonada por ele. Todos eles ainda obrigaram os que os amavam a assistir a morte deles.

Deus nos pede para amar o próximo, para sermos altruístas e esses filmes pregam o contrário, ensina a ser egoísta, a pensar no seu próprio umbigo.
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