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Terça, 30 Janeiro 2018 21:00

"Submissão": um romance sobre o Ocidente rendido ao Islã

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E aí meu povo! Catelivros de volta, e em grande estilo.

Submissão (de Michel Houellebecq, Ed. Alfaguara) é a história de François, um professor de literatura comparada. François é o típico intelectual francês de academia. Esclarecendo aqueles que (ainda) não sabem, a palavra islã, do árabe, significa submissão. Submissão à vontade do Senhor, a Allah. Então o livro trata do islã? Sim e não: na verdade, trata mais daquela que está sendo submetida... No caso, a civilização ocidental.

Não imaginem aqui cenas chocantes de violência, mamelucos de turbante decapitando heroicos cristãos ou mulheres e crianças-bomba explodindo quartéis de polícia. Não há nada disso no livro. A dominação islâmica se expande de forma astuta e "suave, sem violências e sem massacres.

Estamos na França, em um futuro próximo. Como pano de fundo político, vemos a estrutura política tradicional francesa desmoronando por pura degradação. François é o próprio retrato da mediocridade intelectual do Ocidente, e só não é mais medíocre que alguns dos seus colegas de faculdade, lembrando que estamos falando aqui de um professor da Sorbonne.

François nada mais é que o retrato do homem ocidental: espiritualmente fraco, viciado em sexo, depressivo e com tendências suicidas. Ele tem um relacionamento patético com os pais – que conseguem ser ainda mais ridículos retratos humanos do que ele. Em resumo, um homem sem Deus. Sem Deus e sem expectativas na vida, já tendo realizado o seu trabalho mais brilhante e incapaz de seguir adiante, engessado no tempo.

Ah, tá! Mas onde entra o islã nisso aí?”. É sabido que a presença do islã, hoje, na Europa, é massiva. Sendo que o livro se passa num futuro próximo, nos nossos dias, infelizmente, vemos sinais que esse futuro vai pular das páginas dessa ficção para a nossa realidade.

Por exemplo, há poucos dias as escolas na França proibiram a exibição do filme “A Estrela de Belém”, por ser cristão demais. Ao mesmo tempo, esta mesma França não tem o menor problema em parar o trânsito para que os muçulmanos possam rezar na sexta-feira. Tratamento igualitário do estado laico a gente vê por lá, não é mesmo?

Com o desgaste das forças tradicionais francesas – representam aqui neste livro o globalismo da esquerda e o liberal –, vemos a França cair aos poucos numa “terceira via”: o globalismo islâmico. Tudo de forma pacífica e institucional, sem tiros e sem bombas.

A construção de ambientes do livro é excelente, coisas importantes estão acontecendo politicamente a cada página, mas François está passivo, como bom cidadão francês. O islã vence as eleições e a França tem um primeiro ministro muçulmano. Só que ninguém tem que usar burca, ninguém tem que rezar para Meca obrigatoriamente nem nada disso. As mudanças são sutis e elas estão lá, como estão aqui e agora.

O entrelaçamento da cultura ocidental cristã com a cultura judaica está presente no livro, representado pela relação de François com uma colega judia, que pareceria amor, mas que descamba para promiscuidade sexual (um aviso: tem umas descrições bem explícitas de sexo, mas que não são gratuitas, pois remetem à proximidade das culturas de onde os personagens são oriundos).

É um exemplo que alerta que culturas de espiritualidade elevadas, quando se voltam ao exclusivamente material, podem se tornar monstros hedonistas. É esse relacionamento o único que completa François, muito embora ele se sinta inadequado e não entenda muito bem o que está acontecendo. Mas, como era de se esperar, há rachaduras no vaso da cultura judaico-cristã.

Deixo vocês com uma pergunta: o fim da civilização ocidental será através do clamor da batalha ou será como o de seu antecessor, o Império Romano, em um sussurro?

Uma curiosidade: a última edição do medonho “Charlie Hebdo”, antes do atentado que vitimou 12 pessoas, foi justamente com o autor Houellebecq na capa, sendo satirizado.

730 Quarta, 31 Janeiro 2018 13:12

Comentários   

0 # Johnny Rottava 12-02-2018 22:52
Obrigado Paulo por mais uma grande indicação de livro.
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+1 # Lara 02-02-2018 19:21
Vocês também poderiam se possível voltar com as postagens sobre santos desconhecidos? Em especial, africanos e asiáticos? Conhecemos muito sobre a Igreja no Ocidente, mas quase nada no Oriente.

Pergunta: Tem algum livro bom de História Oriental? Só encontro livros sobre a História do Ocidente
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# Paulo Ricardo Costa 07-02-2018 20:03
Para eu poder indicar corretamente, em que parte do Oriente você tem interesse de conhecer a história. O Oriente próximo (Israel, Jordânia, Síria, etc.), o Oriente Médio (Afeganistão, Iraque) ou o Extremo Oriente (Índia, China, Japão, etc.)?
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0 # Renan II de Pinheiro 01-02-2018 13:42
Só acho forçado citar Michel Houelebecq como exemplo de qualquer coisa, logo ele que já disse que achava monoteísmos "idiotas" e dizia que, por causa da ciência, "o destino das religiões era desaparecer". Ele mesmo é um exemplo do intelectual francês niilista e estereotipado, não duvido que o protagonista do livro tenha traços autobiográficos.
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# Paulo Ricardo Costa 01-02-2018 22:45
Concordo que Houellebecq não é nenhum exemplo de cristão ou de crente. Mas não estamos aqui para discutir os valores dele como ser humano, mas sim a obra que ele escreveu. Na nossa avaliação esse livro reflete um panorama crível é bem delineado. Se o autor é um patife ou canalha de primeira ordem, não vem ao caso. Fosse assim, para quê ler Schoppenhauer, Adorno, Dawkins, Voltaire e Rousseau. Todos eméritos biltres.
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# Renan II de Pinheiro 02-02-2018 08:44
Bem, eu não leio nem Schopenhauer, nem Voltaire nem Dawkins. Todos são sectaristas e fizeram muito mal à Igreja.
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+1 # Paulo Ricardo Costa 02-02-2018 16:22
Citando Renan II de Pinheiro:
Bem, eu não leio nem Schopenhauer, nem Voltaire nem Dawkins. Todos são sectaristas e fizeram muito mal à Igreja.

Se não lê como os entende? Pela opinião alheia? És como os críticos de Marx, que nunca leram uma página sequer de 18 Brumário, O Capital e saem refutando marxismo porque “disseram”? A compreensão passa obrigatoriamente pela desagradável experiência de conhecer o inimigo, em especial o que se esconde nas sombras.
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# Alex Hoffmann 01-02-2018 12:49
Até parece que o livro está falando da realidade das coisas, maaasss aqui eu vi uma coisa que me desagrada-me muito, falou-se de esquerda e vocês não sabem que o Papa disse que os comunistas são mais melhor que os católico? Comunista é mais católico que esses católico de terço e missa. O presidente francês não é de esquerda, ele é um facista de extrema direita, exatamente como o Serra, o Alkmin, o Aécio, tendo o Bolsonado como expoente macximo da direita caquetica nazista bolivariana. Além do mais o Barack Obama já disse que o islamismo é a verdadeira religião da paz. Jesus já disse pra amar o procimo e vocês só disceminam o odio. Sejam católicos denunciem o golpe que estão dando no Braziu com a condenação do Lula. Eleição cem Lula é fralde. E no mais fora Temer.
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0 # Sidnei 02-02-2018 10:02
Alex, veja este vídeo, para ver como a coisa está feia com a Igreja no Brasil

https://www.youtube.com/watch?time_continue=2&v=qndau1if6CY
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+1 # Sidnei 31-01-2018 09:57
Não estou nem aí, cada um provará de seu próprio veneno.
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# Alex Hoffmann 01-02-2018 12:54
Aquele dizer de Jesus Cristo: "quando o filho do Homem retornar acaso encontrará fé? Se aqueles dias não forem abreviados até os escolhidos se perderão."
Tens razão, o mundo só vai acordar quando a lei da Sharia estiver com a espada islâmica tocando a carótida do lado direito e do lado esquerdo o esternocleidomastóideo em sua porção anterior.
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+1 # Sidnei 02-02-2018 10:03
Como já comentei outras vezes, o islã será o castigo para a Europa por este continente ter dado as costas a CRISTO e sua Igreja. Quem viver verá.
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# 09-02-2018 01:22
Não se enganem, se a Europa cair, o Brasil também não resistirá muito.

O castigo mundial será novamente o comunismo, as profecias marianas deixam isso bem claro.

A Rússia usa vários meios, inclusive o Islã, para causar confusões, divisões e consequentemente o enfraquecimento do ocidente.
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