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Sexta, 06 Abril 2018 02:54

Catelivros - Conheça o lado Hardcore da literatura católica

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Responda rápido aí: o que você imagina quando te apresentam um livro de ficção escrito por um católico? Quando o escritor é cristão?

Não sei você, mas por muito tempo eu imaginava algo como “Um amor para recordar”, do Nicholas Spark. A menininha santa e do bem vai convertendo o bad boy da escola. Tudo água com açúcar, limpinho e tocante.

Ou então aquelas histórias meio auto-ajuda, meio relativistas, meio “cristãs” do Augusto Cury (que, aliás, lota muita livraria católica. Vamos mudar isso, pessoal).

Se você gosta, nada contra. Mas isso está longe de ser a verdade.

Em meu último artigo falei da importância de levar a vocação de escritor a sério, de como exemplo a vida da escritora católica Flannery O’Connor. Ela é um exemplo de que a literatura de um católico comprometido não é necessariamente uma coisa fofinha e juvenil. É menos John Green e mais Stephen King.

Assassinatos e maldades em geral são coisas comuns em suas histórias. Sim, você leu direito. E como disse um amigo meu: se o católico por vezes se choca com fotos de Bento XVI mandando um canecão de chope para dentro, ou de São João XXIII fumando um cigarro (como onze a cada dez italianos, aliás), imagine como não foi a reação que Flannery O’Connor recebeu de muitos irmãos de fé.

Prova disso é uma carta onde sugerem a ela que sua mensagem era “imoralista”. A resposta que ela dá a acusação vai exatamente onde quero chegar:

“Minha ‘mensagem’ (se queres chamá-la assim), no entanto, é altamente moral. Agora, se é ‘moralista’ ou não, não sei. Em todo caso, creio que o senso moral do escritor deve coincidir com o seu senso dramático, e isso quer dizer que o juízo moral tem de estar implícito no ato da visão.

Vamos dizer tudo às claras: escrevo do ponto de vista da ortodoxia cristã. Nada me é mais repulsivo do que a ideia de pôr-me a criar um pequeno universo de minha própria escolha e propor uma mensagenzinha imoralista. Escrevo com uma fé sólida em todos os dogmas cristãos

Ela diz ali com todas as letras que é católica e escreve sem deixar de ser católica. E classifica sua mensagem como “altamente moral” (embora não moralista, o que seria um erro: reduzir a fé a uma lista de regras).

E se é moral, e altamente moral, uma coisa não pode ser ignorada: o mistério da iniquidade. O problema do mal.

Nos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola, as primeiras meditações são sobre a queda dos anjos e o inferno. Em nossa Bíblia, encontramos episódios de violência até a morte (Juízes 19) e inclusive vemos o povo de Sodoma querendo fazer bobagem com o Anjo do Senhor (tá lá em Gênesis 19: toda a população, dos idosos às crianças, querendo “conhecer” o forasteiro). O católico não varre o problema do mal para baixo do tapete. Muito pelo contrário! Meditamos isso constantemente, e devemos praticar um minucioso exame de consciência, buscando as más paixões dentro de nós e pedindo a graça de ter horror a esse mal.

E se é para ter horror, retratar essa maldade grotesca, perturbadora e satânica na literatura tem um grande mérito.

Curiosamente, o “Stephen King católico” é um padre. Sim, no século passado, um inglês convertido do anglicanismo que abraçou o sacerdócio deixou uma obra com pelo menos três livros que podem ser classificados como “terror”, além de um romance sobre o fim dos tempos.

Falo do Monsenhor Robert Hugh Benson.

O sacerdote, filho de um arcebispo da Cantuária (uma espécie de “papa anglicano”) ficou famoso pela distopia apocalíptica O Senhor do Mundo, onde retrata, de maneira romanceada, os tempos do anticristo. O livro já recebeu elogios de Francisco e Bento XVI e está longe de ser uma coisa cândida, suave e good vibes. Para vocês terem uma noção, logo no início do livro temos um padre apostatando. Não faltam martírios cruéis, com o mundo fechando o cerco aos cristãos, e cenas de loucura generalizada descrevendo a grande apostasia.

Não é para corações fracos. E é bom que seja assim: o livro do Apocalipse é um livro de consolação, mas Deus não diz que será fácil. Diz que estará conosco.

Mas a imaginação católica de Monsenhor Benson também nos brindou com livros de terror. Sim, porque o maligno é aterrorizante e deve ser temido – mas sem perdermos do horizonte de que Deus é maior.

Falo aqui das coletâneas The Light Invisible e A Mirror of Shallott, e do romance The Necromancers, infelizmente, todos sem tradução. O monsenhor viveu na época em que espiritismo estava virando modinha, e ele queria lembrar ao povo duas preciosas verdades: o diabo existe e bruxaria leva direto pro inferno.

Que falta nos faz um pouco dessa ficção mais casca grossa. Nossa fé não é um pique nique romântico: o mal existe, o pecado arrasta nossa alma para o inferno, e o preço da nossa salvação foi o derramamento de sangue do próprio Deus, executado como um malfeitor.

Todo apoio aos escritores que nos lembrem a dimensão de tudo isso e às histórias que mostrem, com a arte, essa realidade. São verdades que não devem ser esquecidas.

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E falando em livros... na próxima quinta, dia 12 às 19h, tem o LANÇAMENTO OFICIAL DO NOSSO NOVO LIVRO: As Verdades que nunca te contaram sobre a Igreja Católica! Será na Livraria Saraiva do Botafogo Praia Shopping (no RJ), pertinho do Metrô Botafogo! Esperamos você lá! Convide os amigos...

Ei... quer que façamos um evento de lançamento aí na sua cidade? Então deixe a sugestão nos comentários!!! A gente quer conhecer todos vocês!

1290 Sexta, 06 Abril 2018 14:30

Comentários   

# Gabriel Turquia 19-04-2018 03:06
Acabaram comigo falando mal do Augusto Cury rsrsrs. Adoro os livros dele. Me ajudam muito.
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# Geraldo 11-04-2018 17:35
Creio que , mutatis mutandis (pois trata-se de cinema) , as coisas ditas na entrevista abaixo, se casam bem com aquilo que você diz no post: https://www.religionenlibertad.com/prada-cine-autenticamente-catolico-mal-debe-resultar-atractivo-63629.htm
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# Amanda 06-04-2018 16:23
Venham pra Manaus!!!! Nunca pedi nada kkkk
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