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A Catequista

A Catequista

Quarta, 31 Maio 2017 13:50

A Pequena Vendedora de Fósforos

"Porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro" (Fil 1,21), diz São Paulo. O apóstolo dos gentios confessa que partir para junto do Senhor seria "imensamente melhor", apesar dele amar a vida, pois estando vivo pode servir aos irmãos. Como eu estou diante dessa Palavra? Eu me identifico com São Paulo, ou estou a mil anos luz desse desprendimento?

Fiquei muito sensibilizada pela análise que apresento a vocês abaixo, sobre um conto de Hans Christian Andersen. Muitas vezes gastamos a maior parte do nosso tempo buscando garantir a felicidade - ou ao menos a estabilidade e segurança - nesta vida aqui, quando Cristo e toda a Bíblia nos ensinam que essa vida passa logo, que os servos de Cristo são perseguidos e sofrem muito neste mundo, e que o nosso verdadeiro lar não é aqui.

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A PEQUENA VENDEDORA DE FÓSFOROS

por Rodrigo Figueiroa

Em uma fria véspera de Ano Novo, uma menina pobre, jovem, tenta vender fósforos na rua. Ela já está tremendo de frio e hipotermia precoce, e ela está andando descalça tendo perdido seus chinelos. Ainda assim, ela tem muito medo de ir para casa, porque seu pai vai espancá-la por não vender nenhum fósforo. A menina toma o abrigo em um recanto de um beco e senta-se cabisbaixa.

A menina acende os fósforos para aquecer-se. Em seu brilho, ela tem várias visões encantadoras, começando com um fogão, depois uma festa de ceia onde o ganso assado quase salta para ela, e então uma árvore de Natal maior do que a da casa de um comerciante rico. Logo ela percebe que as luzes da árvore são na realidade as estrelas.

A menina olha para o céu e vê uma estrela cadente; Ela então se lembra de sua avó falecida dizendo que tal estrela cadente significa que alguém está morrendo e vai para o Céu. Quando ela acende o próximo fósforo, ela vê uma visão de sua avó, a única pessoa que a tratou com amor e bondade. Para manter a visão de sua avó viva por tanto tempo quanto puder, a menina acende todo o pacote de fósforos de uma só vez.

Depois de ficar sem fósforos, a criança morre e sua avó leva seu espírito para o céu. Na manhã seguinte, os transeuntes encontram a menina morta no recanto, congelada com um sorriso no rosto, e o monte de fósforos queimados ao lado dela. Eles sentem piedade por ela, embora não tenham demonstrado bondade com ela antes de sua morte. Eles não têm como saber sobre as visões maravilhosas que ela teve antes de sua morte ou como gloriosamente ela e sua avó estão agora celebrando o Ano Novo no Céu.

Esse pequeno conto de 1845 foi escrito por Hans Christian Andersen, o criador de A Pequena Sereia e O Patinho Feio. Durante o início do séc 20, na Revolução Industrial, as pessoas não ligavam para os pobres. Com as "muitas oportunidades" da indústria (como trabalhar em minas de carvão), a pobreza era considerada um traço de personalidade, a pessoa era pobre porque não "trabalhava o bastante". E mendigar era ilegal no país e época de Andersen, então os pobres vendiam fósforos e outras quinquilharias na rua como recurso ou uma forma de mendigagem "justa".

Abuso infantil também era comum nessa época. As alucinações da menina são sinais da hipotermia. Mas a aparição de sua vó é ambígua. Pode ou não ser uma alucinação como as outras. De toda forma, a aparição de um ente falecido é um sinal da proximidade da morte em muitos casos de "quase-morte". Nesse caso, é importante notar que Hans Christian Andersen achava que esse conto teve um final feliz. Muitas pessoas não entendem ou se sentem extremamente desconfortáveis com esse pequeno conto, porque ele parece triste e sem esperança. Isso mostra o contraste de como nosso tempo é sem fé.

Pois esse conto trata não apenas da dura realidade, mas da fé. O final da pequena vendedora de fósforos é para todas as pessoas de fé um final feliz, junto de seu único ente amado e de Deus. Para nós, que achamos a vida a última bolacha do pacote, mesmo quando nos consideramos pessoas de fé, só acreditamos nessa fé quando ela serve à vida.

Contraste sua fé com a de Andersen e de seus contemporâneos, e com a fé da pequena vendedora de fósforos, e verá que a sua talvez não seja tão forte. Todas as esperanças da menina eram em bens dessa vida que temos por "garantido" e que ela nunca teve; e morreu sem ter; e no final sua recompensa foi maior do que as que ela esperava. Ainda assim, para nós, isso parece um faz de conta para consolar quem não tem nada. Não parece algo de substância.

Pensar em uma criança morrendo na Véspera de Ano Novo é incômodo, mas acontece todos os anos. Aqueles que têm tudo ignoram uma pessoa que pede por moedas.

Muitas pessoas "perdem a fé em Deus" porque Deus não fez o que elas queriam, não ajudou no que elas acreditam merecer. Esse tipo de pensamento é de alguém que realmente não tem nem nunca teve fé ou compreensão da natureza das coisas espirituais, a partir do princípio de não entender Deus como a causa da Criação, mas como um Papai Noel, que dá presentes aos bonzinhos e castiga os levados.

A nossa era não vê substância no final, porque não tem fé. A fé em nossa era se resume em esperança por coisas boas que possam ser desfrutadas em vida. Mas Andersen nos lembra, como era entendido pela maioria das pessoas em sua época, que a fé deve ser em coisas boas no ESPIRITUAL, e que as coisas da vida, seriam bem menos piores se não ignorássemos ao longo do ano as pequenas vendedoras de fósforos.

O final da vendedora de fósforos foi bom, e essa é a parte que cabe à Deus. A vida dela foi ruim, e essa era a parte que cabia a nós.

Em 2013, o Papa Francisco já havia mandado uma indireta negativa sobre as supostas aparições da Virgem Maria em Medjugorje, na Bosnia-Herzegovina (confira aqui). Agora ele mandou uma diretona mesmo!

No voo de retorno a Roma, vindo de Portugal, um jornalista lhe perguntou sobre essas aparições. O papa respondeu que a investigação e o relatório que ele recebeu do cardeal Ruini foram muito bem-feitas.

"O relatório Ruini afirma que é preciso distinguir as primeiras aparições, quando os videntes eram crianças, e diz que é preciso seguir as investigando. Sobre as supostas aparições atuais, a relação apresenta dúvidas."

- Papa Francisco. Voo Portugal/Roma. Fonte: site do Vaticano

O cardeal Ruini concluiu que os relatos atuais aparições são duvidosos, mas o papa é ainda mais duro a esse respeito, e não tem dúvidas de que as aparições são falsas. Confira:

"Eu pessoalmente sou mais malvado [no sentido de que é mais cético do que o cardeal Ruini], prefiro a Virgem Mãe do que a Virgem que é encarregada de uma agência dos correios e envia uma mensagem a cada dia. E essas pretensas aparições não têm tanto valor: isto eu sigo como opinião pessoal."

Que fique claro: a Igreja NÃO RECONHECE como autênticas as aparições de Medjugorje. Há a hipótese de que as primeiras aparições, de quando os videntes eram crianças, talvez possam ser verdadeiras – e isso ainda pode ser investigado. Porém os atuais relatos de aparições, provavelmente, são uma enganação.

Isso não quer dizer que a Igreja proíba as peregrinações a Medjugorje. Como o papa disse na entrevista no avião, não se pode negar que muitos peregrinos se convertem e encontram Deus lá. São milhares os testemunhos nesse sentido.

O que foi proibido foi somente que os videntes continuem a embromar o povo, com a palhaçada de fingir que recebem mensagens diárias da Santa Mãe de Deus.

O que me parece é que as mensagens insossas diariamente divulgadas pelos videntes de Medjugorje serviram, acima de tudo, para distrair as pessoas da mensagem essencial do Evangelho e desviar a atenção das aparições legítimas, como a de Fátima

"Penitência, Penitência!" - pedia o anjo em Fátima. E a Virgem de Fátima sempre ordenava: "REZAI O TERÇO TODOS OS DIAS".

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Conheça o Livro “Quem sou eu para Julgar”, da Editora LeYa, com textos e falas do Papa Francisco sobre os mais diversos temas. Todas as tretas estão lá! Clique na figura abaixo!

Um leitor do nosso blog, estudante do primeiro ano do Ensino Médio, nos perguntou se era verdade que a Igreja Católica no passado debateu a existência da alma nas mulheres. Ele nos enviou a seguinte imagem, do livro de História que integra o seu material didático:

O autor desse delírio é José Arbex Jr. Esse texto foi retirado de um livro seu (Islã, um enigma de nossa época) que defende a tese de que a extrema perseguição e violência sofrida pelas mulheres no mundo islâmico não tem nada a ver com a religião islâmica, mas sim com um “problema de cultura” machista mundial.

Ah, sim... Porque nos EUA até hoje as mulheres não podem dirigir, né? Ih, não, isso é na Arábia Saudita! E no Chile, se uma mulher denuncia um estupro na delegacia, é presa e processada, certo? Ah, não, isso é em Dubai! É, mas tem a Austrália, onde é comum o casamento de meninas menores de 12 anos. Ah, não isso é no Iêmen!

Todas essas desgraças (e muitas outras), impensáveis em países de raiz cristã, são rotina em países de maioria muçulmana!

Mas para embasar sua tese do mundo da fantasia, Arbex busca demonstrar como o judaísmo e o cristianismo estão repletos de episódios de extrema injustiça contra as mulheres. Como não há nos dias de hoje algo que sequer se compare à situação surreal dos direitos da mulher em países muçulmanos, ele tenta, num ato de desespero, recorrer a um tempo anterior à Idade Média, quando vivia Maomé.

E, adivinhem? Arbex tombou! Tombou o cérebro dos que confiam em seu texto.

A Igreja Católica JAMAIS levantou qualquer dúvida sobre as mulheres terem alma. A grande historiadora Régine Pernoud, ao refutar essa calúnia, classificou simplesmente como “tolice” (livro Idade Média: O Que Não Nos Ensinaram, Capítulo VI).

Porém essa tolice tem uma origem: a distorção do significado de um texto de São Gregório de Tours. O santo conta que no Concílio de Mâcon de 585, um dos sacerdotes presentes defendia a ideia de que o termo “homo” (homem, em latim), não deveria designar genericamente todos os indivíduos humanos, ou seja, não deveria ser usado para as mulheres.

Por exemplo, quando se diz: “O homem precisa encontrar o sentido da vida”, estamos usando o termo “homem” para designar a mulher também. O tal bispo não achava isso certo. Como vemos, a discussão girava em torno de uma questão linguística, e nada tinha a ver com dizer que a mulher não era um ser humano ou não tinha alma.

“Houve neste Sínodo um bispo que dizia não poder a mulher chamar-se homem. No entanto deu-se por satisfeito, quando os bispos lhe apresentaram as razões, recordando-lhe o que ensina o livro do Antigo Testamento (...) Graças a estes testemunhos e a vários outros, a questão ficou liquidada e a discussão terminou”.

- São Gregório de Tours. "Histoire des Francs" (História dos Francos), capítulo 9

Como se vê, os demais bispos rebateram a ideia do bispo que levantou a questão, ele se convenceu, e parou por aí. Nem sabemos se esse debate realmente aconteceu, pois São Gregório não participou do tal Concílio e escreveu só o que ouviu falar. Mas se aconteceu, não teve importância alguma, deve ter sido um papo de corredor, pois não foi citado em nenhum dos documentos do Concílio.

PROTESTANTES, PAIS DESSA MENTIRADA TODA

Os difamadores mais profissionais do mundo – os protestantes – não perderam a oportunidade de usar esse episódio irrelevante para atacar o catolicismo.

No final do século XVI, um luterano chamado Lucas Osiander (O Velho) escreveu, comentado o episódio narrado por São Gregório de Tours:

"Além disso, confundido neste sínodo o bispo, que afirmou que a mulher não pode ser chamada de humano (non posse mulierem DICI hominem). Este é um problema sério e bem digno de ser discutido em um sínodo. Eu teria colocado este bispo para cuidar de porcos. Porque, se sua mãe não era um ser humano, ele havia aparentemente nascido de uma porca."

- Epitomes Historiae ecclesiasticae, Centuria sexta, l. 4, ch. 15, Tübingen, 1598, p. 285

Bem... aqui para nós parece bem evidente quem é o porco dessa história!

Cerca de 100 anos depois, a lorota ganha novo ímpeto. Em 1697, Pierre Bayle, um célebre estudioso calvinista, escreveu em sua obra “Dictionnaire historique et critique. Après avoir parlé de la Disputatio nova”, ao citar outro autor protestante (Johannes Leyser) que havia citado Osiander: "O que eu acho mais estranho é ver que em um concílio [Mâcon] se tenha seriamente questionado se as mulheres eram um ser humano, e que isso se decidiu somente depois de um longo exame".

Realmente, criatura, era mesmo estranho... porque era mentira!

A partir de então, nos séculos seguintes, esse preconceito seria passado adiante por muitos outros escritores e poetas influentes, como Victor Hugo.

Só mais recentemente, o respeitado historiador Jacques Dalarun denunciou a cagada: “Somente o emprego abusivo de uma alusão de Gregório de Tours († v. 594) ao concílio de Mâcon de 585 poderia fazer crer que o clero discutiu seriamente se as mulheres tinham alma” (l'Histoire des femmes en Occident, vol. II, Le Moyen Âge).

O mais louco disso tudo é que os mesmos protestantes que inventaram que a Igreja no passado questionou se as mulheres tinham alma são os mesmos que nos acusam de "idolatrar" a Mãe de Deus, a Virgem Maria. 

Em 2016, o Papa Francisco causou perplexidade entre uma multidão de católicos ao participar da celebração dos 500 anos da Reforma Protestante, na Suécia. Aquele dia foi loko!

Porém, há cerca de 30 anos, o então padre Jorge Bergoglio estava em outra vibe: dizia com todas as letras que Lutero era herege, mas havia alguém que conseguia ser pior do que ele: Calvino, um verdadeiro "carrasco espiritual".

O padre Bergoglio denunciou ainda que a intensa secularização do Ocidente e o ateísmo crescente eram consequência, antes de tudo, do luteranismo (sobre esse fato, já falamos antes aqui).

Quem gostou, joga as mãozinhas pro ar e bate palmas!!!!

Tudo isso foi dito em uma palestra em 1985, na Argentina, cujo conteúdo foi publicado em 2014, no livro Chi sono i gesuiti, da editora EMI.

Aí vêm as perguntas: com o passar dos anos, então, o Papa argentino teria mudado sua visão sobre a Deforma Protestante?

Para saber ao certo, só perguntando para o próprio. A nós, resta dar um chute: o Papa Francisco não mudou de ideia, apenas resolveu olhar a Deforma a partir de outro ângulo.

A Deforma Protestante foi uma imensa desgraça, mas o bispo de Roma enxergou na celebração dos 500 anos uma oportunidade de dar passos para a reconciliação da cristandade dividida. E o que ele diz não é mentira: ainda que de forma vil, a Deforma teve o efeito positivo de acelerar o movimento de reforma interna na Igreja Católica.

A Deforma foi um mal? Ô se foi! Mas há males que vêm para o bem. Como bem pontuou o historiador católico Daniel-Rops, sobre Lutero:

“O seu papel na História da Igreja foi em muitos pontos considerável; dir-se-ia providencial. (...) ... enfrentando a Igreja tragicamente, duramente, tragicamente, nos seus problemas, não foi ele quem a obrigou a sair desse mar de lama, de facilidade e de conveniências, em que o melhor da alma cristã se enterrava?. Sem ele, sem o medo que suscitou, teria a Igreja empreendido a reforma autêntica, levada a cabo na fidelidade e na disciplina, cuja necessidade tantos espíritos conheciam, mas que tão poucos homens de caráter ousavam realizar?”

- A Igreja da Renascença e da Reforma

Ainda assim, celebrar os 500 anos da Deforma não foi atitude uma controversa? Sim! Mas, como filhos, devemos dar um voto de confiança a esse nosso pai, doce Cristo na Terra. Não é uma mudança de doutrina, é uma questão de perspectiva: o Papa está buscando dar foco no que protestantes e católicos têm em comum, e não no que nos separa.

O próprio Catecismo, citando um documento do CV II, ensina que “Aqueles que creem em Cristo e receberam validamente o Batismo encontram-se numa certa comunhão, embora imperfeita, com a Igreja Católica” (ponto 838).

Porém, os papas pré-conciliares já tinham essa visão sobre os nossos irmãos separados. Em carta aos bispos católicos escoceses, o Papa Leão XIII disse:

“Sabemos que muitos dos escoceses, que não concordam conosco na fé, amam sinceramente o nome de Cristo, e se esforçam para averiguar a Sua doutrina e para imitar Seu santíssimo exemplo.”

Caritatis Studium, 25 de julho de 1898

Depois, Pio XII ensinou que muitos protestantes seguiam uma doutrina herética sem culpa própria. Ele disse:

“Não queremos que passe despercebido o grande eco de comovido reconhecimento que vieram suscitar em nosso coração os augúrios daqueles que, se bem não pertençam ao corpo visível da Igreja católica, não se esqueceram, em sua nobreza e sinceridade, de sentir tudo aquilo que, ou por amor à pessoa de Cristo ou pela sua crença em Deus, os unem a nós.”

- encíclica Summi Pontificatus

Como você pode ver, a decisão de enfatizar o que nos une aos protestantes não é nova. Com o Papa Francisco, esse enfoque dá um salto mais amplo do que nunca – um salto cheio de riscos, mas talvez sejam riscos que valham a pena. 

O principal risco dessa celebração ecumênica dos 500 anos da Deforma é o de passar para o mundo a ideia de que a Igreja, agora, entende que o que Lutero fez foi uma coisa boa. De jeito nenhum! Porém, infelizmente, é isso que muita gente está pensando.

Mas, convenhamos: certos vacilos estão dando motivos para isso. Permitir que uma escultura de Lutero fosse colocada em destaque na sala de audiências do Vaticano durante um encontro entre católicos e luteranos foi bem avacalhado, né não? Volta pro mar, oferenda!

Ok, a comunicação do negócio tá confusa, mas precisamos saber que exaltar Lutero não é a intenção do Papa. É o que explica Presidente do Pontifício Comitê das Ciências Históricas, Padre Bernard Ardura (entrevista publicada na Rádio Vaticana):

“Hoje não se trata de dizer que aquilo que fez Lutero tenha sido uma coisa boa, porém, podemos explicar os acontecimentos que levaram à Reforma e os desdobramentos que se seguiram. (...) Isto é, ver qual é o contexto histórico e eclesial em que viveu Lutero, pois sem este conhecimento não se pode entender o que aconteceu sucessivamente em todo o continente europeu.”

O esforço conjunto de católicos e luteranos para chegar a uma narrativa histórica comum sobre a Deforma Protestante resultou em um documento chamado Do Conflito à Comunhão. Seu conteúdo apresenta os argumentos católicos e luteranos, e também o reconhecimento das culpas de um lado e de outro.

Quem acompanhou a nossa série de posts sobre Lutero certamente vai ficar quicando ao ver que Do Conflito à Comunhão apresenta Exú Lulu como um reformador digno e, aparentemente, mais cheio de qualidades do que defeitos. Mas, fora a excessiva condescendência com a ação demoníaca do Pai da Deforma, o documento é muito útil e interessante.

É isso... Olha a celebração ecumênica dos 500 anos da Reforma aí, gente! Quem tá animado pra essa festa, vem comeeeeeeego!

Sábado, 08 Abril 2017 15:36

Noivado eterno: não caia nessa furada!

Quase toda família tem seus personagens e histórias estranhas. Na minha família, um dos casos mais bisonhos era o de uma tia que ficou noiva por 21 anos! Depois, acabou não se casando, e está sozinha até hoje.

Talvez você nunca tenha visto um caso assim tão extremo, mas é bem possível conheça alguma moça que perdeu boa parte de sua juventude em um noivado que se arrastou por muitos anos (cinco, seis, sete anos...), para, no fim, não dar em nada. É algo muito comum, infelizmente.

A grande prejudicada nessas situações é a mulher. É ela que tem o tal “relógio biológico”, que não espera, não volta atrás e não perdoa a passagem do tempo. Muitas meninas entram jovens em um noivado, e saem dele não tão jovens assim – e cheias de cicatrizes na alma.

Há dois problemas nisso:

1) quanto maior a idade da mulher, menor o número de possíveis pretendentes – sempre se pode arrumar alguém, mas certamente fica mais difícil;

2) enquanto a fertilidade dos homens começa a cair somente perto dos 40 anos, a das mulheres começa a reduzir antes dos 30.

E como é que esse rolo começa? Quanto um casal de namorados resolve trocar alianças de noivado sem nem mesmo ter estabelecido uma data próxima e provável para o casamento. A mulher, romântica e iludida, se sente mais segura, mais valorizada. E não percebe o atoleiro em que pode, muito possivelmente, estar se enfiando.

Miga, abre teu olho! Aliança no dedo sem data de casamento em vista não necessariamente é compromisso: pode ser uma algema. Uma algema que vai te acorrentar por um longo tempo a um homem com quem você não terá futuro nenhum.

É bom lembrar que o noivado de verdade envolve uma celebração católica na qual as alianças são abençoadas e os noivos selam uma PROMESSA diante do Senhor. Mas, como de costume, o noivado se transformou apenas em convenção social, sem nenhuma necessidade de se comprometer diante de Deus.

Assim, muitos homens, de forma consciente ou não, colocam uma aliança de noivado no dedo da namorada só para ampliar a sua posse sobre ela e tê-la sob controle. Iludida com o ovo no fiofó da galinha, a mulher sente que já está com o casamento garantido, e se apega ainda mais ao homem. Não raro, mesmo sendo católica, cede aos apelos sexuais do noivo, afinal, “vamos nos casar mesmo!”.

Tenha sempre em mente aquela música da Beyoncé: se o tempo tá passando e o cara tá te enrolando, mostre a ele que a fila anda!

If you liked it then you should have put a ring on it! [COM DATA MARCADA!] Oh, oh, oh! Oh, oh, oh! Oh, oh, oh...

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Quer entender de uma vez por todas a treta da Comunhão Eucarística aos recasados? Vem comeeeeeego!

Desde que o Papa Francisco publicou a encíclica Amoris Laetitia, duas interpretações tortas se destacaram entre o povo católico:

  • uns entenderam que liberou geral, e que todos os divorciados recasados (em estado de adultério) agora podem comungar;
  • outros dizem que a encíclica não mudou nada do que São João Paulo II já havia dito antes.

Péeeeeeee! Tudo errado. Cês tão brisando nas drogas?

Divorciados recasados agora podem comungar? Não. Essa é a norma geral. Porém, pode haver EXCEÇÕES – com base no que o Catecismo ensina sobre atenuantes em certas situações de pecado grave.

Entre as exceções, estão os casais em segunda união que permanecem juntos por causa dos filhos, mas não fazem sexo – o que já havia sido permitido por São João Paulo II. A novidade é que o Papa Francisco ampliou os casos de exceção.

São João Paulo II, na encíclica Familiaris Consortio, já admitia que havia diferentes níveis de culpabilidade entre os casais de segunda união. Por exemplo, quem foi responsável pela destruição do próprio casamento tem um pecado e uma culpa bem maior do que quem sinceramente fez de tudo para salvar o matrimônio, mas foi injustamente abandonado.

Há recasados e recasados... Cada casa é um caso. O problema é que muitos de nossos padres e bispos se conformam em tratar a todos os divorciados recasados do mesmo modo, bastando pregar a eles uma regra geral. Mas não é assim que um bom pastor deve agir! “Saibam os pastores que, por amor à verdade, estão obrigados a discernir bem as situações”, alerta São João Paulo II.

Agora, PRESTE MUITA ATENÇÃO nesse ensinamento do santo polonês:

Saibam os pastores que, por amor à verdade, estão obrigados a discernir bem as situações. Há, na realidade, diferença entre aqueles que sinceramente se esforçaram por salvar o primeiro matrimônio e foram injustamente abandonados e aqueles que por sua grave culpa destruíram um matrimônio canonicamente válido. Há ainda aqueles que contraíram uma segunda união em vista da educação dos filhos, e, às vezes, estão subjetivamente certos em consciência de que o precedente matrimônio irreparavelmente destruído nunca tinha sido válido.

- Familiaris Consortio

Leu com atenção? Ok. Agora volte e leia de novo! Esse trecho é a chave de leitura para que você possa entender o que o Papa Francisco determinou sobre a Comunhão para divorciados recasados.

A LINHA PASTORAL DE SÃO JOÃO PAULO II

Como você viu, São João Paulo II reconheceu que nem tudo é preto no branco, e que há uma gradação de culpabilidade em cada situação de segunda união.

Sim, de modo geral, divorciados em segunda união estão em adultério (Jesus deixou isso claro m Mateus 15) e se arriscam a ir para o Inferno. Porém, em algumas situações bem específicas, devido aos atenuantes, alguns deles não estão em pecado mortal – estão apenas em situação não-ideal e irregular. 

Qual o fundamento para afirmar isso? O Catecismo da Igreja Católica (ponto 1735), que ensina que a culpabilidade de um ato pode ser diminuída ou até mesmo anulada, dependendo das circunstâncias atenuantes.

Eis aquele momento em que o católico fariseu abre o Catecismo e fica "perplecto"...

Nos casos em que a culpabilidade da segunda união não existe, S. J. Paulo II garantia que o Senhor, que conhece os corações, concederia ao casal a “comunhão espiritual” (S. Afonso Maria de Ligório, doutor da Igreja, explica que a comunhão espiritual “Consiste no desejo de receber a Jesus Sacramentado e em dar-lhe um amoroso abraço, como se já o tivéssemos recebido”). Mesmo tendo a convicção, em suas consciências, de que são inocentes, não deveriam participar da Eucaristia, pois poderiam escandalizar e conduzir outros fieis ao erro e à confusão.

É neste ponto que o Papa Francisco dá um salto pastoral: é possível que um casal em segunda união, EM CONJUNTO COM SEU PASTOR (não sozinhos!) chegue à certeza de que ele está livre de pecado mortal. Nesse caso, poderá ter acesso à Eucaristia, ainda que de modo discreto, para evitar escândalos.

Mas é bom o povo recasado não se empolgar: o acompanhamento dos casais em segunda união não tem por objetivo lhes dar a permissão comungarem. Muitas vezes, isso não será possível, como esclarece o documento dos bispos argentinos, que foi elogiado pelo Papa Francisco:

4) Este caminho, não termina necessariamente nos sacramentos, mas pode orientar-se para outros modos de se integrar mais na vida da Igreja: uma maior presença na comunidade, a participação em grupos de oração ou reflexão, o compromisso em diversos serviços eclesiais etc.

Fonte: InfoCatólica

A LINHA PASTORAL DO PAPA FRANCISCO

Enquanto São João Paulo II entrega essas situações difíceis e complexas ao julgamento exclusivo de Deus (que pode ou não conceder a comunhão espiritual aos recasados), o Papa Francisco coloca mais responsabilidade na mão dos padres e bispos (que podem ou não conceder o acesso à comunhão aos recasados).

Segurem essa batata quente, sacerdotes de Deus! Não é bomba, não!

Os sacerdotes são ungidos do Senhor: podem avaliar e julgar. E assim, eventualmente, podem permitir que determinados casais em segunda união comunguem – como Deus mesmo o faria. O Papa Francisco os convida “a escutar, com carinho e serenidade, com o desejo sincero de entrar no coração do drama das pessoas e compreender o seu ponto de vista, para ajudá-las a viver melhor e reconhecer o seu lugar na Igreja”.

Alguém pode questionar se essa abordagem pastoral de Francisco não é muito arriscada. Eis o que papa argentino pensa sobre isso:

...prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. (...) Mais do que o temor de falhar, espero que nos mova o medo de nos encerrarmos nas estruturas que nos dão uma falsa proteção, nas normas que nos transformam em juízes implacáveis, nos hábitos em que nos sentimos tranquilos, enquanto lá fora há uma multidão faminta e Jesus repete-nos sem cessar: «Dai-lhes vós mesmos de comer» (Mc 6, 37).

- Evangelii Gaudium

Aos que preferem uma abordagem mais rígida, o Papa Francisco responde:

Compreendo aqueles que preferem uma pastoral mais rígida, que não dê lugar a confusão alguma; mas creio sinceramente que Jesus Cristo quer uma Igreja atenta ao bem que o Espírito derrama no meio da fragilidade: uma Mãe que, ao mesmo tempo que expressa claramente a sua doutrina objetiva, «não renuncia ao bem possível, ainda que corra o risco de sujar-se com a lama da estrada».

- Amoris Laetitia

O PAPA ESTÁ RELATIVIZANDO A DOUTRINA?

Não, não está. O que ele fez foi flexibilizar a pastoral, de modo a socorrer os pecadores que, por uma série de condicionamentos, se veem incapazes de viver o ideal proposto pelo Evangelho acerca do matrimônio.

Para evitar qualquer interpretação tendenciosa, lembro que, de modo algum, deve a Igreja renunciar a propor o ideal pleno do matrimónio, o projeto de Deus em toda a sua grandeza (...). A tibieza, qualquer forma de relativismo ou um excessivo respeito na hora de propor o sacramento seriam uma falta de fidelidade ao Evangelho e também uma falta de amor da Igreja pelos próprios jovens.

A compreensão pelas situações excepcionais não implica jamais esconder a luz do ideal mais pleno, nem propor menos de quanto Jesus oferece ao ser humano. Hoje, mais importante do que uma pastoral dos falimentos é o esforço pastoral para consolidar os matrimônios e assim evitar as rupturas.

- Amoris Laetitia

Um Papa que se refere à pastoral dos recasados como “pastoral dos falimentos” lhes parece um relativista? Viva o Papa Francisco!

Quarta, 22 Março 2017 00:20

O mito da mudança de sexo

“Você pode ser o que você quiser”: essa frase está muito na moda. Mas não se engane: enquanto o mundo diz que podemos moldar a nós mesmos de acordo com nossos desejos e pensamentos, Cristo diz que devemos renunciar a nós mesmos para segui-lo.

A ideia de que basta pensar e desejar para tornar algo real se expandiu para incluir a transformação de si em um homem ou uma mulher – o fenômeno do transexualismo. Se um homem deseja ser mulher e diz que é mulher, então ele é mulher? Sim, de acordo com a surreal ideologia de gênero.

É uma nova versão do pecado de Adão e Eva: os homens acreditam na serpente, que garante que eles podem ser um deus. Pois só um deus pode tornar seus desejos realidade, bastando usar a força do pensamento!

Sobre isso, confira o vídeo abaixo, em que uma defensora da ideologia de gênero debate com Ben Shapiro, brilhante analista político americano.

ENTENDENDO O PROBLEMA

Pessoas que alegam ser transexuais, na verdade, sofrem de disforia de gênero, também chamada de transtorno de identidade de gênero.

Segundo a NHS Choices (entidade ligada ao governo do Reino Unido), estudos recentes sugerem que a disforia de gênero pode ter origem em um distúrbio biológico causado por desequilíbrios hormonais durante a gestação. Pode ser.

Entretanto, muitos especialistas garantem que traumas infanto-juvenis, o ambiente e as relações familiares são os principais fatores que levam a desenvolver disforia de gênero.

Num artigo chamado “A ideologia de gênero é danosa para as crianças” (Gender Ideology Harms Children), a associação americana de pediatras The American College of Pediatricians explica que não se deve permitir que as escolas e a mídia ensinem às crianças que a transexualidade é algo normal:

“A crença pessoal de que se é algo que na verdade não é, na melhor das hipóteses, é sinal de um pensamento confuso. Quando uma criança biologicamente masculina e saudável acredita que é uma menina, ou quando uma criança biologicamente feminina e saudável acredita que é um menino, há um problema psicológico objetivo que está na mente, não no corpo, e que deveria ser tratado como tal. Essas crianças sofrem de disforia de gênero”.

A instituição diz que encorajar crianças a tentar mudar de sexo por meio de medicamentos e cirurgias "é um abuso infantil”.

MUDAR DE SEXO É IMPOSSÍVEL

Muitos pensam que, após a chamada cirurgia de mudança de sexo, a pessoa operada realmente troca de sexo. Que viagem! Isso é o mesmo que pensar que, se um cirurgião implantar um chifre no meio da testa de um cavalo, ele se torna um unicórnio!

Quem diz que mudou de sexo, na verdade, só mudou de nome e de sexo no documento. No corpo, não virou uma pessoa do outro sexo.

A cirurgia da mudança do sexo é somente um procedimento estético. Quer a prova? Basta fazer um teste de DNA. Nenhuma quantidade de cirurgia, injeção de hormônio ou qualquer outra coisa pode alterar no DNA a informação sobre o sexo de nascimento. É algo imutável!

DECEPÇÃO E SUICÍDIO

Confirmar as pessoas com disforia de gênero na ilusão de que nasceram com o sexo errado não alivia a sua dor: só piora o problema. As taxas de suicídio entre pessoas que realizaram a cirurgia de “troca de sexo” são altíssimas!

“Ain, mas isso acontece por causa do preconceito da sociedade...”. Será?

Essa teoria cai por terra quando vemos vários casos de pessoas bem-sucedidas e festejadas pela sociedade após “mudarem de sexo”. Podemos citar Mike Penner, que “virou” Christine Daniels, “escritora” do Los Angeles Times. Ele se suicidou em 2009, um ano após a tal cirurgia.

Também vale lembrar o caso de Nathan Verhelst, que se suicidou (via eutanásia) em 2013. Ela nasceu menina e tentou virar um homem, passando por diversas cirurgias. Continuou infeliz depois do processo, apesar de viver na Bélgica, um país em que o transexualismo é visto como normal e saudável.  

O CONSELHO DE UM CRISTÃO QUE FEZ CIRURGIA DE MUDANÇA DE SEXO

Walt Heyer é um cristão americano que, por muito tempo, achou que eram uma mulher presa em um corpo de homem. Tudo começou aos quatro anos de idade, quando sua avó começou a vesti-lo de menina – exatamente o que as escolas e pais moderninhos estão fazendo com as crianças hoje, na Europa!

Heyer se tornou adulto, ficou rico, se casou, teve filhos. Mas a confusão com sua identidade sexual o levou a mergulhar na depressão, no álcool e nas drogas. Ele pensou, então, que a salvação estaria em se divorciar e fazer a cirurgia de mudança de sexo. E foi o que ele fez, aos 42 anos.

Depois da operação, passado o período de euforia inicial, a decepção foi grande. Implantar seios, mudar a genitália e tomar hormônios femininos não o tinham transformado em uma mulher. Desesperado, Heyer tentou suicídio. Mas um grupo de amigos cristãos protestantes o ajudou a se reencontrar a sua identidade e a paz.

Um psicólogo ajudou Heyer a entender a raiz de seu desejo de ser mulher – a origem estava em sua baixa auto-estima na infância.

Aos 50 anos, Heyer fez novamente uma cirurgia, dessa vez, para reverter a operação de mudança de sexo. Hoje, ele tem um site que fala sobre mudança de sexo (veja aqui). Centenas de pessoas o procuram pedindo conselho, antes de se submeter a uma cirurgia de mudança de sexo. Ele orienta cada um deles a rastrear, em alguma questão ligada à infância, a raiz de seu desejo de mudar o corpo.

Uma boa avaliação psicológica pode ajudar a economizar muito dinheiro e a evitar muitas mágoas!

O DEPOIMENTO DA BRASILEIRA LÉA T.

A experiência da modelo brasileira Léa T. parece confirmar o que Walt Heyer diz. Em 2013, um ano após ter feito a “troca de sexo”, em entrevista ao programa Fantástico, ela disse que não aconselha essa cirurgia para ninguém.

Lea: Eu achava que a minha felicidade era embasada na cirurgia. Mas, não foi. Não é isso.

Ceribelli: Você não ficou mais feliz depois da cirurgia?

Lea: Eu fiquei mais à vontade. É diferente. A felicidade não é não é um pênis, uma vagina que traz felicidade a ninguém.

Ceribelli: Me lembro da nossa entrevista, bem antes de você fazer a cirurgia, você dizia que não se sentia uma mulher completa sendo uma mulher no corpo de homem. Depois da cirurgia, hoje você já diz: eu sou uma mulher completa?

Lea : Não, não!

Ceribelli: Você hoje é 100% mulher?

Lea: Não. Eu nunca vou ser 100% mulher.

A entrevista completa pode ser vista no G1 (clique aqui).

A última onda do marxismo cultural é nos obrigar a aceitar que um homem é uma mulher, pelo simples fato dele “se sentir” mulher; ou que uma mulher é do sexo masculino, bastando ela “se sentir” assim.

Pessoas que alegam ser transexuais sofrem de disforia de gênero, também chamada de transtorno de identidade de gênero – um transtorno psicológico. É quando a pessoa sente que seu corpo é incompatível com a identidade sexual que ela diz ter. Porém, em vez de direcionar essas pessoas ao suporte psicológico, a cultura atual alimenta as suas ilusões. E muitos chegam ao extremo de submeter à cirurgia de "mudança de sexo".

Com base nessa insanidade, em alguns países da Europa, já é comum que as escolas e pais estimulem meninos a adotarem comportamento tipicamente feminino, e vice-versa. Uma escola na Bélgica até mesmo simulou um casamento gay entre crianças de 7 anos (veja aqui).

O vídeo abaixo dá uma boa noção do ponto em que as coisas já chegaram. E, pelo visto, o Brasil está indo pelo mesmo caminho.

PORQUE OS CATÓLICOS ESTÃO DORMINDO?

No mundo, sempre houve homossexuais. Mas estamos diante de uma realidade totalmente nova: uma cultura louca que afirma que o sexo das pessoas não é definido por sua biologia, mas sim pelo seu modo de sentir.

Diante dessa situação, precisamos perguntar: o clero e o laicato brasileiro estão dormindo? Pouquíssimos agentes de pastoral estão se empenhando em entender o fenômeno da homossexualidade e da transexualidade, para poder servir melhor esses irmãos.

O cenário é desolador. Em muitas paróquias, os transexuais são simplesmente desprezados. Em outras comunidades o povo acha que é suficiente “tratar bem” o transexual; não buscam estudar o assunto, ficam boiando e não sabem como fazer uma correta abordagem pastoral. Assim, não ajudam a pessoa a entender e a superar o seu transtorno de identidade.

Em outras comunidades, é ainda pior: hereges tomam a frente da pastoral de acolhida a pessoas LGBT, e tudo o que fazem é pregar que Jesus não vê nada de errado em seu modo de vida.

Foi exatamente isso que aconteceu com o ex-transexual americano Diamon Dee: quando ele começou a considerar a ideia de fazer cirurgia de mudança de sexo, todos à sua volta o incentivaram, inclusive os cristãos. “Se é isso que você quer, vá em frente!”. As pessoas chamam isso de "tolerância", mas na verdade é só um meio de tirar o corpo fora. Confira o seu testemunho:

 

Também é interessante o que diz o americano Walt Heyer, também ex-transexual. Segundo ele, a Igreja deve, de forma gentil, porém firme, desafiar as pessoas, em vez de confirmá-las na sua disforia de gênero: “Se nós confirmamos as pessoas na mudança de sexo, na verdade estamos desobedecendo a Cristo, pois isso não é o que elas são. Ele as criou homem ou mulher”.

Heyer diz ainda que aqueles que lutam com sua identidade sexual e acham que a cirurgia de sexo é uma solução "precisam ir a um psicólogo ou psiquiatra, começar uma terapia e cavar bem fundo para investigar o que está causando o seu desejo, porque, nesse assunto, sempre há uma raiz psicológica ou algum caso psiquiátrico não resolvido e que precisa ser explorado".

Por isso, é fundamental que os padres e demais líderes católicos trabalhem em conjunto com psicólogos e psiquiatras que compartilham da visão antropológica cristã – bem diferente da postura de grande parte dos psicólogos, que incentivam a disforia de gênero.

Há milhares de irmãos transexuais no nosso país – e muitos outros surgem a cada dia –, que precisam conhecer Jesus, e precisam amados e ajudados. O que você pode fazer por eles? E o que você tem a dizer aos pais cristãos, cujas crianças estão sendo ensinadas nas escolas a aceitar a transexualidade como algo saudável e normal?

Diante desse caos, você acha mesmo que está sendo um bom cristão quando se contenta apenas em dizer: “não julgueis”?

Se liga e agita, povo católico!

*****

Amanhã, publicaremos mais um post sobre esse tema, falando um pouco mais sobre a cirurgia de "mudança de sexo" e suas consequências. Não perca!

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Você é padre ou leigo e gostaria de ajudar no acolhimento pastoral e evangelização dos irmãos que sentem atração por pessoas do mesmo sexo? Ou você sente atração por pessoas do mesmo sexo? Para qualquer desses casos, entre em contato com nossos amigos do Apostolado Courage (clique aqui).

Sexta, 17 Março 2017 13:33

As orações favoritas de Bento XVI

Quais são as orações favoritas de um dos maiores papas que a Igreja já teve? Essa e outras curiosidades foram reveladas no recém-lançado livro Bento XVI - O Último Testamento.

O livro é o resultado de uma série de conversas com o jornalista Peter Seewald. Tenho que me confessar, pois estou morreeeeeeendo de inveja desse cara! Pense só numa criatura que teve a oportunidade de papear longamente com ninguém mais ninguém menos do que Joseph Ratzinger, e lhe fez todas as perguntas que quis, inclusive sobre questões polêmicas e pessoais... Fascinante!

Recebi o livro de presente da Editora Planeta (presentão!), e o devorei em dois dias. A leitura do texto corre fácil, é muito gostosa. Ao fim, temos a sensação de que admiramos mais ainda o bispo emérito de Roma, mas, principalmente, sentimos crescer em nós o amor por Cristo e pela Sua Igreja.

Agora, vamos às orações favoritas de Bento XVI!

ORAÇÃO DE SANTO INÁCIO

Tomai, Senhor, e recebei toda a minha liberdade,
a minha memória também
O meu entendimento e toda a minha vontade;
Tudo o que tenho e possuo
Vós me destes com amor

Todos os dons que me destes,
com gratidão vos devolvo;
Disponde deles, Senhor, segundo a Vossa vontade.
Dai-me somente o vosso amor, a vossa graça;
Isso me basta nada mais quero pedir.

ORAÇÃO DE SÃO NICOLAU DE FLUE

Meu Senhor e meu Deus,
arrancai de mim mesmo
tudo o que me impede de ir a Vós.
Meu Senhor e meu Deus,
dai-me tudo aquilo
que me conduz a Vós.
Meu Senhor e meu Deus,
tirai-me de mim mesmo
e entregai-me todo a Vos

ATO DE AMOR PERFEITO 

(Atribuído a São Francisco Xavier)

Não me move, meu Deus, para querer-te,
O Céu que me tens prometido,
Nem me move o inferno, tão temido,
Para deixar por isso de ofender-te.
Tu me moves, Deus meu, move-me o ver-te
Cravado em uma cruz, escarnecido;
Move-me o ver teu Corpo tão ferido,
Movem-me tuas afrontas e tua morte;
Move-me, enfim, teu amor e de tal maneira
Que, ainda que não houvesse Céu, te amaria,
E, ainda que não houvesse inferno, te temeria.
Nada tens que dar-me porque te quero;
Porque, se não esperasse o que espero,
Te queria o mesmo que te quero.”

ORAÇÃO UNIVERSAL
(Autor: São Pedro Canísio)

Todo-Poderoso, Deus Eterno, Senhor, Pai Celestial! Olhai com os olhos de vossa misericórdia infinita nossos lamentos, misérias e necessidades. Tende compaixão de todos os cristãos pelos quais Vosso Filho, nosso amado Senhor e Salvador, Jesus Cristo, chegou voluntariamente às mãos dos pecadores e derramou seu sangue precioso na haste da Santa Cruz. Por esse Senhor Jesus, afastai, Pai misericordioso, as punições bem merecidas, perigos presentes e futuros, a insurgência danosa, os preparativos de guerra, a escassez, doença, tempos aflitos, miseráveis. Iluminai também e fortalecei em toda a bondade líderes e regentes espirituais e mundanos para que promovam tudo o que possa fazer prosperar Vossa honra divina, nossa salvação, a paz comum e o bem-estar de toda a cristandade. Concedei-nos, ó Deus da Paz, uma unidade verdadeira na fé, sem toda a divisão e separação; convertei nosso coração ao arrependimento genuíno e à melhoria de nossa vida; acendei em nós o fogo do Vosso amor; dai-nos fome e ânsia por toda a justiça, para que nós, como filhos obedientes, vos agrademos e sejamos serenos na vida e na morte. Rogamos também, conforme a Vossa vontade, ó Deus, pelos nossos amigos e inimigos, pelos sãos e pelos doentes, por todos os cristãos em agonia e na pobreza, pelos vivos e pelos mortos. A Vós, ó Senhor, confiamos todos os nossos atos, nossa vida e nossa morte. Permiti desfrutar de vossa graça aqui e conseguir lá, com todos os escolhidos, na paz e felicidade eternas, louvar-Vos, honrar-Vos e exaltar-Vos! Concedei-nos, ó Senhor, Pai Celestial! Por Jesus Cristo, Vosso amado Filho, que convosco e o Espírito Santo vive e rege como Deus único para todo o sempre. Amém.

Em uma entrevista ao jornal alemão Die Zeit, o Papa Francisco disse que o celibato opcional para padres “não é a solução” para a falta de vocações, e considerou que os viri probati, talvez, poderiam ser uma alternativa (Fonte: Religión en Libertad).

Os viri probati eram homens casados, de fé comprovada, que podiam se tornar padres. Era algo muito praticado no primeiro milênio do cristianismo, mas não faz muito sentido no nosso contexto atual.

A ordenação de homens casados era uma coisa normal, nos tempos da Igreja primitiva. Essa verdade está explícita nas Escrituras. Ao lado dessa, há outra verdade bíblica, que está implícita: esses homens renunciavam ao convívio e à vida sexual com suas mulheres.

Pedro, que era casado, disse ao Mestre: "Eis que deixamos tudo para te seguir. Que haverá então para nós?" (Mt 19,29). Jesus respondeu: "E todo aquele que por minha causa deixar irmãos, irmãs, pai, mãe, mulher, filhos, terras ou casa receberá o cêntuplo e possuirá a vida eterna". Está claro que os Apóstolos tinham renunciado a TUDO – inclusive às suas esposas – para se dedicar inteiramente ao Evangelho.

ATENÇÃO: isso não significa que o viri probati deixava de ser casado! O matrimônio é indissolúvel. Marido (sacerdote) e mulher continuavam casados até o fim da vida, porém, viviam com separação de corpos e nunca mais faziam sexo. Os viri probati poderiam morar apenas com uma irmã ou com uma filha virgem consagrada, conforme vemos na Bíblia:

"Acaso não temos nós direito de deixar que nos acompanhe uma mulher irmã, a exemplo de outros apóstolos e dos irmãos do Senhor e Cefas?" (I Cor 9,5)

Na tradução mentirosa e pervertida da bíblia protestante (King James e João Ferreira de Almeida), a expressão "mulher irmã" foi substituída por "esposa crente". É muita cara-de-pau!

Para que um homem casado fosse ordenado, era preciso que sua esposa estivesse de acordo. Após a ordenação, a Igreja assumia o sustento da sua esposa e filhos. Portanto, a velha piada de que pessoas casadas não fazem sexo era a mais pura verdade para os viri probati

A primeira legislação escrita dessa norma está registrada no cânon 33 do Concílio de Elvira, que aconteceu no início do século IV:

"Estamos de acordo sobre a proibição total que se aplica aos bispos, padres e diáconos, ou seja, para todos os clérigos que estão engajados no serviço do altar, que devem abster-se de suas esposas e não gerar filhos; quem fez isso deve ser excluído do estado clerical."

Porém, muito antes do século IV, desde os primórdios da Igreja, essa lei já vigorava, sendo transmitida pela Tradição oral. Por causa da fraqueza humana, havia, certamente, muitos viri probati vacilões, que continuavam a se relacionar com suas esposas. Mas a Igreja lutava continuamente contra esse abuso.

O EXEMPLO DE SÃO PAULINO DE NOLA

O viri probati mais célebre, talvez, seja São Paulino de Nola, que nasceu no ano 355. Ele e sua esposa Teresa decidiram doar todos os bens aos pobres e viver como irmãos, após a morte de seu bebê. Paulino se tornou monge, e depois foi eleito presbítero e bispo.

O POVO DO ORIENTE QUEBROU A FIRMA

Hoje, como já explicamos em outro post (veja aqui), assim como a Igreja Ortodoxa, as igrejas católicas orientais sui iuris admitem homens casados ao sacerdócio, e eles continuam vivendo normalmente com suas esposas. Os bispos, por sua vez, devem sempre ser celibatários (em geral, são selecionados entre os monges).

Porém, nos primeiros séculos do cristianismo, não era assim. A Igreja Católica no Oriente seguia a mesmíssima disciplina sobre o celibato sacerdotal do Ocidente. A prova disso está nos escritos de diversos Padres orientais, como o bispo Epifânio, que viveu entre os anos 315 e 403.

Na sua principal obra, o Panarion, Epifânio diz que Deus chama ao sacerdócio especialmente os homens que sempre viveram como virgens, a exemplo de Jesus. Essa é, garante ele, a regra estabelecida pelos apóstolos em sabedoria e santidade.

Epifânio ensina também que a Igreja admite como sacerdotes, além dos virgens, viúvos ou homens que renunciaram ao convívio com sua esposa.

Infelizmente, essa disciplina foi pervertida e se perdeu no Oriente. Como já explicamos em outro post (veja aqui), a perseguição à Igreja do Ocidente nos primeiros séculos e a grande dificuldade de comunicação entre o Oriente não permitiam que o Papa tivesse muita possibilidade de influenciar e intervir nas comunidades orientais. Com mais autonomia e menos fiscalização do bispo de Roma, os patriarcas acabaram cedendo e afrouxando a norma.

E por que, quando as coisas ficaram mais tranquilas, o Papa não chutou o pau da barraca e obrigou os católicos orientais a restabelecer a disciplina do celibato, conforme a Tradição? Porque, como não se tratava de uma questão dogmática, por misericórdia, Roma preferiu deixar as coisas como estavam, do que insistir com a norma e, talvez, provocar um cisma. O mal seria muito maior!

Para quem quer virar craque no assunto, é só ler o livro Il celibato ecclesiastico - La sua storia e i suoi fondamenti teologici, do Cardeal A. Stickler. A obra apresenta fontes seguras e irrefutáveis.

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