Publicidade
Sábado, 28 Outubro 2017 19:43

Templários: monges com vocação para a guerra

Postado por

Talvez um dos grupos mais fascinantes da Idade Média sejam os cavaleiros Templários, membros de uma ordem religiosa e militar fundada em 1120, durante as Cruzadas. Eles faziam voto de pobreza, castidade e obediência, além do voto especial de proteger os peregrinos que se dirigissem a Jerusalém – pois ataques de muçulmanos nas estradas eram muito comuns.

Diferente dos membros de outras ordens religiosas, os cavaleiros Templários não recebiam a ordenação sacerdotal, ou seja, não se tornavam padres. Pois aquele que representa Jesus Cristo e administra os sacramentos não pode derramar sangue humano: isso sempre foi proibido pela lei da Igreja. A Ordem tinha seus próprios capelães: “tratava-se, porém, de padres que entravam para fazer parte do Templo quando já houvessem recebido a consagração sacerdotal, sendo absolutamente proibidos de empenhar-se nos combates” (Barbara Frale. Os Templários e o Pergaminho de Chinon encontrado nos arquivos secretos do Vaticano).

Para nós pode parecer estranha a existência de uma ordem de frades habilitados para a guerra. Mas também naquele tempo vestir o hábito religioso e participar de uma guerra era visto como algo inconciliável; a aprovação da Igreja à nova ordem não deixou de gerar perplexidade. Afinal, tanto pecadores arrependidos e penitentes quanto grandes santos renunciaram às armas para seguir na via cristã de forma mais perfeita.

Jerusalém estava sob o domínio dos imperadores cristãos bizantinos até o século VII, quando os muçulmanos invadiram e tomaram o território. Por 200 anos, as peregrinações de cristãos à Terra Santa ocorreram tranquilamente, graças ao tratado diplomático firmado entre Carlos Magno, Imperador do Sacro Império Romano, e o califa Harun al Rashid.

Essa paz foi por água abaixo quando o califado egípcio assumiu o poder na região: “no ano de 1009, as autoridades islâmicas da Síria decretaram o saque de Jerusalém e a destruição do Sepulcro, com a terrível recrudescência do fanatismo, que se abateu com grande violência sobre os locais de culto cristão” (Barbara Frale). A profanação dos locais sagrados em que Jesus sofreu sua Paixão e Morte mexeram profundamente com os cristãos, em especial, a demolição da Basílica do Santo sepulcro.

Os Templários foram colaboradores muito ativos das Cruzadas. Mas essas guerras não foram capazes de impedir que os muçulmanos tomassem de vez a Terra Santa. A esperança de retomar Jerusalém ficava cada vez mais distante, e as guerras contra os pagãos já não eram tão frequentes. Diante dessa nova realidade, os Templários se adaptaram e assumiram uma nova função, dedicando-se especialmente à atividade mercantil-financeira.

Esses monges guerreiros eram extremamente amados pelo povo de toda a Europa, de todas as classes sociais. Os ricos eram beneficiados pelos serviços bancários criados pela Ordem – uma novidade total para a época – e pela segurança oferecida nas viagens, o que favorecia o transporte de produtos e o comércio. Os pobres, por sua vez, eram gratos pela isenção de cobrança de taxas para viver e trabalhar nas terras da Ordem; além disso, nas estradas dos Templários não se cobrava pedágio, como era feito nas estradas dos senhores feudais.

As doações recebidas e serviços bancários prestados pela Ordem a deixaram rica (observação importante: seus membros continuavam a viver de maneira pobre). Os Templários tinham propriedades em toda a Europa, mas a maioria delas estava concentrada na França. E essa viria a ser a causa de sua desgraça...

Nos próximos posts, vamos falar sobre a condenação dos Templários e da morte na fogueira do grão-mestre do Templo, Jacques De Molay. Acompanhem!

5178 Segunda, 30 Outubro 2017 15:34

Comentários   

0 # Orlandilson Landim C 05-11-2017 19:35
São exageradas as estórias a respeito da riqueza dos templários, quando o rei da França mandou prender e confiscar os bens da ordem, nenhum grande tesouro foi encontrado, o que fez surgir a lenda do tesouro perdido dos templários. A verdade é que equipar e manter um cavaleiro naquele tempo era muito caro e todo dinheiro conseguido era gasto para manter as fortalezas da ordem na terra santa.
P.S.> No século XVIII falavam que os jesuítas exploravam o trabalho dos índios e que eles possuíam grandes riquezas, mas quando o Marquês de Pombal expulsou e confiscou os bens dos jesuítas nenhum tesouro significativo foi encontrado. Se o Papa Pio VII não tivesse restabelecido a Companhia de Jesus, em 7 de agosto de 1814, acredito que ate hoje existiriam lendas falando de um tesouro escondido dos jesuítas.
Responder | Responder com citação | Citar
0 # Thiago 31-10-2017 14:46
"Aquele que representa Jesus Cristo e administra os sacramentos não pode derramar sangue humano: isso sempre foi proibido pela lei da Igreja.", uai, mas e os bispos guerreiros da Inglaterra? E o Arcebispo de Trier Albero de Montreuil? Eles eram proibidos pela igreja de administrarem sacramentos e de lutar na guerra? Faltou mais pesquisa da parte de vocês.
Responder | Responder com citação | Citar
0 # Alex Hoffmann 30-10-2017 19:36
Não tem nada com o assunto mas que deu que o site ficou temporariamente fora do ar? Ataque mimisento depois do debate entre o Alexandre e os esquerdalhas?
Agora sim um pouco a ver com o assunto: por ventura vocês, Alexandre, Viviane e ou Paulo Ricardo (ia pedir a bênção, mas é sacanagem, hehehe) já chegaram a ver aquele documentário feito pela equipe Brasil paralelo?
Eis o endereço do YouTube: https://youtu.be/NNrdnYf9spU
Também fala sobre a ordem dos templários.
Responder | Responder com citação | Citar
+3 # Marcio 30-10-2017 18:30
Aguardo anciosamente sobre o De Molay. Aqui na nossa cidade (LUCAS DO RIO VERDE - MT), esta ordem é ferozmente combatida pelo pároco. Ordens De Molay (meninos) e Arco-iris (meninas). Falta tempo (ou preguiça) de aprofundar o assunto. Outro dia vi uma postagens de vocês no face perguntando se o pároco combate estas ordens... Sim, combate.

Os filhos e pais são chamados pessoalmente pelo pároco, o qual lhes dá uma escolha: (i) continua lá e não recebe os sacramentos ou (ii) rompe com a ordem, e recebe o sacramento e segue a vida como católico.

Infelizmente em 2.016 tivemos 3 casos de pais que conseguiram (não se sabe como), fazer a primeira comunhão e crisma dos filhos em outra cidade (e outra Diocese).

Mas não ficou barato não, o pároco reunião as cópias do certificado da Eucaristia e do Crisma (pároco ninja, não sei como conseguiu) e encaminhou uma carta ao Bispo daquela Diocese, alertando o ocorrido.
Responder | Responder com citação | Citar

Adicionar comentário


Código de segurança
Atualizar

Publicidade
Publicidade