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Segunda, 30 Outubro 2017 16:24

Quem matou os Templários foi o rei da França, não a Igreja!

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Ontem explicamos a origem e a missão dos Templários, e hoje seguimos contando a história de sua ruína. Como dissemos, as doações recebidas e serviços bancários prestados pela Ordem a deixaram rica. E essa viria a ser a causa de sua desgraça...

O rei Filipe, o Belo, gastou somas imensas na guerra contra a Inglaterra, levando a França praticamente à falência. A crise era tão grave que o povo nas ruas queria linchá-lo. Ansioso para descolar uma grana que cobrisse esse rombo, há muito tempo ele tramava um golpe para se apossar do patrimônio dos Templários, que estava concentrados na França, em sua maior parte.

Em 1307, Filipe moveu um processo contra os membros da Ordem, acusando-os de crimes contra a moral e a fé católicas; antes desse ataque, ele difamou dos Templários junto às diversas cortes da Europa. O momento para isso era favorável, pois as Ordens militares tinham virado alvo da decepção dos europeus pelo fracasso militar das Cruzadas.

O rei impôs imensa pressão sobre a Igreja, e acabou tomando a frente de um perverso processo inquisitorial. Cerca de cinco mil Templários foram presos; muitos deles foram torturados sem qualquer piedade, o que os levou a confessaram crimes fictícios, conforme os interesses do que o rei.

Clemente V escreveu uma carta de protesto ao rei, pedindo muito educadamente que ele devolvesse os Templários aos cuidados da Igreja. Vale lembrar que o Papa não estava residindo oficialmente em Roma, mas sim na França, em Avignon – e isso o deixava muito mais vulnerável à força militar de Filipe.

Após meses de luta diplomática, finalmente o rei se viu obrigado a ceder ao Papa o direito de interrogar e de julgar pessoalmente os Templários. Um documento muito precioso revela exatamente como se desenrolou essa história: o Processus Contra Templarius, redigido após a investigação dos interrogatórios. O Pergaminho de Chinon faz parte do Processus.

A verdade é que o Papa jamais condenou os Templários como hereges. Em sua investigação, Clemente V constatou que muitos deles eram culpados por atos de imoralidade e por maus hábitos – na cerimônia de iniciação dos novatos, em especial, havia alguns trotes estranhos e imorais, típicos de grupos militares mundanos. Nesse rito, o preceptor testava a disposição do novato a obedecer qualquer comando de seus superiores, sem hesitar ou contestar; para isso, o expunha a atos humilhantes e indignos.

Eram abusos vergonhosos para uma Ordem nascida de modo tão nobre, mas não havia presença de heresia nem nada que motivasse a Igreja a extingui-la. A ideia do Papa era promover uma reforma espiritual e disciplinar, e unir os Templários com a Ordem Hospitalária de São João.

Em 20 de agosto de 1308, os chefes dos Templários foram absolvidos por Clemente V da acusação de heresia. Foram considerados culpados, porém, de outros pecados graves, pelo que pediram perdão e foram redimidos.

A monarquia francesa reagiu contra a sentença papal, e os homens Conselho real até mesmo discutiam seriamente a hipótese de se criar uma Igreja francesa autônoma e separada de Roma. Essa chantagem surtiu efeito: sofrendo de violentas hemorragias e estando gravemente doente, o Papa não tinha mais forças para levar em frente aquela batalha, e entregou os pontos.

Em agosto de 1309, Clemente V decretou a suspensão (não-definitiva) da Ordem dos Templários, que foi sacrificada para salvar a unidade da Igreja. Os bens dos Templários foram confiscados: uma parte deles foi destinada à Ordem dos Hospitalários e outra parte foi abocanhada pelos príncipes.

A partir aí, foi uma tragédia: ignorando e violando a autoridade papal, as autoridades reais atiraram dezenas de templários inocentes à fogueira. Outros tanto morreram na prisão, em consequência das pesadas torturas. “Na ocasião, os teólogos de Sorbonne haviam se manifestado contra a decisão, declarando-a completamente ilegal, mas este seu parecer jamais foi levado tem conta” (Barbara Frale. Os Templários e o Pergaminho de Chinon encontrado nos arquivos secretos do Vaticano).

Portanto, as evidências documentais provam que quem matou os membros da Ordem do Templo foi o rei da França, e não a Igreja!

E assim os Templários foram varridos da face da terra, o que culminou com o dramático sequestro e assassinato do grão-mestre Jacques De Molay na fogueira. Essa história nós vamos contar no próximo post. Fique de olho! 

7487 Terça, 31 Outubro 2017 12:03

Comentários   

0 # marvyn 01-11-2017 14:12
Quem deu a sentença, processou e julgou foi a Inquisição da França, o processo foi feito pelo inquisidor geral da frança, que era marionete do Felipe.
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0 # Eduardo 31-10-2017 18:10
Se o papa realmente utilizasse sua força moral para fazer valer a lei, o rei não teria sido capaz de fazer nada. Mas não, o que se vê é o papa andando de mãos dadas, dando uma de centrista, inclusive suspendendo a Ordem. Era Idade Média, nenhum rei seria louco de desafiar o papado. Assim, o rei só os condenou porque viu que tinha o caminho livre. Assim como houve muitos papas santos, também houve papas péssimos na história da Igreja, e não adianta querer tirar a culpa deles.
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+1 # Augusto 07-11-2017 13:49
Um monte de monkey hue-br achando que a Idade Média europeia é como a a árabe, com os teocratas tendo poderes quase divinos. Ora, o mais comum eram os reis ignorarem solenemente o que os papas falavam.
Na verdade, foi um milagre as rebeliões protestantes, amplamente financiadas pelos reis europeus, não terem começado antes.
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+1 # Sidnei 07-11-2017 23:54
É isto aí Augusto, tem gente que acha que os papas na idade média mandavam e desmandavam em todo mundo, pura bravata.

Veja a vida do Papa São Gregório VII, até Bonifácio VIII levou uma bofetada a mando a mando do rei da França Felipe belezura, isto sem contar depois da idade média, quando a Igreja já tinha perdido grande parte de poder e prestígio que havia no passado, se no passado os papas viviam sob ameaça de todos os lados, imaginem depois, como aconteceu com os papas Pio VII e Pio VIII, que comeram o pão que o diabo amaçou nas mãos de Napoleão, e Pio IX que viu os estados da Igreja desaparecer, com a unificação da Itália e por não querer banho de sangue, abriu mão de tudo, para viver como prisioneiro no Vaticano.

Diante disto tudo tem gente que ainda haja os papas tão poderosos assim?. Tem gente que não sabe a missa a metade.
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+2 # A Catequista 01-11-2017 17:20
O que é a força moral diante da força militar?

"Era Idade Média, nenhum rei seria louco de desafiar o papado". Nenhum rei? Bem, deixe-me citar alguns nomes:
- Oto I da Alemanha contra o papa João XII;
- Frederico II, do Sacro Império Romano-Germânico, contra Gregório IX (esse até tentou invadir Roma com suas tropas;
- Frederico II da Sicília contra João XXII.

Há muitos outros, mas esses são os que me vieram à mente no momento.

"Era Idade Média, nenhum rei seria louco de desafiar o papado". O interessante é essa frase também - adaptada - é usada pelos anti-católicos para atacar a memória de Pio II: "Os alemães eram católicos, nenhum líder alemão seria louco de desafiar o papado! Pio II deveria ter peitado Hitler! Foi omisso".

Recomendo que você leia as obras de autores renomados e internacionalmente respeitados a respeito desse assunto. Certamente mudará sua visão sobre o tema. Sugiro especialmente "Os Templários e o Pergaminho de Chinon encontrado nos arquivos secretos do Vaticano", de Barbara Frale, e "A History of The Inquisition of The Midlle Ages", de Henry Charles Lea.
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0 # Fernando de Sá 31-10-2017 14:26
A ordem dos templários não teria sido absorvida em sua parte pela reino de Portugal, tornando ou criando a ordem de Cristo?
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