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Segunda, 30 Outubro 2017 18:54

O sequestro e assassinato de Jacques De Molay

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Depois de apresentar aqui no blog quem eram os cavaleiros da Ordem do Templo e como foi se deu a sua ruína, finalmente vamos falar da execução do grão-mestre Jacques De Molay.

Muitos católicos alimentam uma aura de devoção em torno desse homem. Mas o fato é que De Molay foi inicialmente egoísta ao abandonar seus irmãos Templários: se negou a abrir a boca em defesa deles, em troca da promessa de um julgamento brando para si (Henry Charles Lea. A History of the Inquisition of the Middle Ages, Volume III).

O Papa Clemente V havia designado uma comissão de bispos para tomar a frente do julgamento dos chefes Templários. A Ordem estava perdida, mas restava agora a missão de salvar a vida desses homens. A intenção foi boa, mas se mostrou inútil...

A comissão de bispos estava prestes a emitir um veredicto - que, pelo ador da carruagem, seria favorável aos chefes Templário. Antes do anúncio da sentença, o rei Felipe, o Belo, mandou raptar De Molay e o chefe dos Templários na Normandia, Geoffroy de Charny. Em seguida, os enviou para a fogueira em 18 de março de 1314, em uma pequena ilha no Rio Sena.

De Molay se redimiu de sua covardia anterior em sua morte: a compostura demostrada em meio a seu intenso tormento nas chamas lhe valeu a reputação de santo mártir entre muitas pessoas, que recolheram e guardaram suas cinzas como relíquias.

A reverência popular a De Molay aumentou ainda mais quando dois fatos muito intrigantes se seguiram à sua execução...

Apenas um mês após a morte do grão-mestre dos Templários, o Papa Clemente V faleceu, depois de muito padecer por causa de uma doença. Oito meses depois, foi a vez do Rei Felipe, o Belo, bater as botas: aos 46 anos, sofreu um acidente fatal, durante uma caçada. Em toda a Europa, o povo dizia que esses fatos foram o castigo imposto pela justiça divina pela culpa na ruína dos Templários.

A Inquisição não teve qualquer envolvimento com o assassinato de De Molay. Quanto aos demais prisioneiros Templários, nas regiões livres na influência do rei da França, eles eram tratados com muito maior respeito e legalidade – como é o caso dos Tribunais da Inquisição no Chipre e na área ibérica. 

De Molay não morreu excomungado, mas sim como cristão absolvido. Barbara Frale resume essa triste história com essas palavras (livro Os Templários e o Pergaminho de Chinon encontrado nos arquivos secretos do Vaticano):

Clemente V jamais lançou sentenças de condenação contra os Templários; em vez disso, procurou reverter a excomunhão que havia sido lançada contra eles. Aquela absolvição jamais foi revogada, e a sentença de suspensão das atividades da Ordem, sancionada no Concilio de Viena, permanece ainda hoje inalterada, mesmo após sete séculos, sob a forma de uma decisão não-definitiva.

A LENDA QUE ASSOCIA OS TEMPLÁRIOS COM A MAÇONARIA

Uma história muito popular é a de que a Ordem do Templo, após ser suprimida pela Igreja, teria sido continuada pelos maçons. A associação entre a maçonaria e os Templários se deve especialmente ao mito de que esses monges teriam ritos secretos.

Jace Stuckey desmente essa ideia: os Templários não cultivavam nenhum segredo, a não ser aqueles que envolviam informação militar. A morte dramática de Jacques De Molay tinha tons de romantismo e mistério, além da mensagem contra o fanatismo religioso; e assim, promover a sua conexão com a maçonaria pareceu muito interessante para os maçons. Porém essa associação é historicamente impossível (para saber mais: livro Seven Myths of the Crusades, editado por Alfred J. Andrea e Andrew Holt).

A maçonaria até mesmo patrocina e coordena uma Ordem juvenil chamada DeMolay, que tem o objetivo de "pescar" os jovens para se tornarem maçons. A maçonaria é condenada pela Igreja Católica, portanto, os católicos não devem se associar a ela nem à DeMolay.

4679 Terça, 07 Novembro 2017 16:15

Comentários   

0 # Marcio 16-11-2017 14:18
Minha esposa e eu estamos encontrando dificuldades em defender a igreja em detrimento aos maçons... Pois somos questionados sobre o (i) real propósito da maçonaria, pois a igreja distorce, (ii) os templários que fundaram a maçonaria, (iii) a maçonaria é algo bom, procura o desenvolvimento da sociedade, (iv) Constantino fundou a igreja católica e reescreveu a bíblia, etc. etc. etc.

Gostaria que me indicassem livros, sites, etc para estudo. Até conseguimos algumas coisas com nosso padre aqui, mas é pouco. Podem me mandar por e-mail, obrigado.
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+2 # A Catequista 16-11-2017 17:23
Oi, Márcio!

Respondendo ao seu comentário em nosso site... Sobre o ponto 1: se as pessoas dizem que a Igreja distorce o sentido da Maçonaria, então elas já assumem desde já que não são católicas. Porque o católico reza em toda missa: "creio na Santa Igreja Católica". Se uma pessoa diz que não crê em um ensinamento da Igreja Católica, ainda mais algo tão grave como a condenação à maçonaria - que já foi feita pela Igreja mais de 300 vezes! - então é muita confusão e cara de pau ela se dizer católica.

Já publicamos um post sobre isso:
http://ocatequista.com.br/blog/item/9606-maconaria-me-engana-que-eu-gosto-parte-2

Sobre o ponto 2:
Já explicamos neste nosso post que isso é um mito, uma bobagem. Templários jamais fundaram maçonaria nenhuma. O livro que indicamos é "Seven Myths of the Crusades", editado por Alfred J. Andrea e Andrew Holt. Outro livro é " Templários Historia e Mito" do Michael Haag.

Sobre o ponto 3:
Já respondemos no link indicado na resposta do ponto 1. Se a maçonaria só buscasse coisa boa, não teria causado tatas revoluções que resultaram na perseguição à Igreja e aos católicos, como a revolução francesa e a perseguição aos católicos no México. Recomendo o livro "A Guerra dos Cristeros", das Edições Cristo Rei.

Sobre o ponto 4:
Respondemos a essa questão no nosso livro "As Grandes Mentiras sobre a Igreja Católica". Está à venda em diversas livrarias físicas e também em livrarias na internet. Vou colar o link da Amazon abaixo:

https://www.amazon.com.br/Grandes-Mentiras-Sobre-Igreja-Cat%C3%B3lica/dp/8542208412?tag=goog0ef-20&smid=A1ZZFT5FULY4LN

Espero ter ajudado. Fique Com Deus!
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+1 # André Bohn 07-11-2017 14:02
Excelente texto. Apenas um ajuste : "..Oito meses depois, quem foi a vez do Rei Felipe, o Belo, bater as botas: aos 46 anos..." acho que o quem está sobrando.

Parabéns !
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0 # Everton 06-11-2017 21:47
Boa noite.
Eu sei que não tem absolutamente nada a ver com o post, mas poderiam postar algo a respeito do selo em comemoração aos 500 anos da reforma protestante, emitido pelo vaticano?
Isso não é no mínimo estranho? Comemorar a divisão da cristandade?
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+1 # Sidnei 08-11-2017 10:27
Fora que esta sigla PIIGS, lembra a palavra porco, e foi isto mesmo que o autor da matéria adventista, de uma maneira indireta, nos chamou a nós todos de católicos de porcos, e é com estas igreja que a Igreja Católica procura o ecumenismo?.
Para mim, diante destes ataques protestantes contra nós, nos considerando de idiotas, ignorantes, estúpidos e até de porcos, o ecumenismo acabava era hoje, e selo para comemorar 500 anos da reforma protestante, não existiria nunca, mas como parece que o Vaticano quer ser tuto bona gente com todo mundo, e como em troca só recebe coice, vai levar coice por muito tempo, até cair a fixa e enxergar que com aqueles que eles tanto querem manter dialogo, são estes que querem comer os fígados de todos nós católicos.
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0 # Sidnei 08-11-2017 10:26
Tirando a Grécia de maioria ortodoxa, o resto é de maioria católica, e o autor da matéria televisa deu grande enfase a isto, alegando que por serem países católicos, foram os mais atingidos pela crise, por serem justamente católicos, enquanto que países de maioria protestantes, como a Suécia e a Alemanha, não foram atingidos mas hoje estão totalmente recuperados isto por são PROTESTANTES.

Continua
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0 # Sidnei 08-11-2017 10:24
Tem um tal de Voltaire Schilling, que o portal terra abriu para ele colocar suas verborragias, para detonar a Igreja Católica e só paparicar os protestantes, como se nos países protestantes, só houve avanço nas ciências, economia e na cultura e nos países católicos só houve atraso em todas as áreas, fora que vi na televisão, em um canal adventistas, quando sapeando o controle remoto da minha TV, parei neste canal, e vi um programa especial sobre estes 500 anos, e o apresentador trouxe as diferenças econômicas entre países protestantes e católico, e chegou na união europeia e a crise de 2008 e a denominação PIGS, que foram os países mais afetados naquela crise e que os reflexos dos abalos econômicos daquela época são sentidos até hoje, sendo estes países: Portugal, Espanha, Itália, Irlanda e Grécia.

Continua
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0 # Sidnei 08-11-2017 10:23
Juro eu já estou com nojo, mas com nojo mesmo, que nestes últimos dias depois das comemorações dos 500 anos da reforma protestante, tem havido tanta gente colocando a Igreja Católica lá em baixo, sobre tudo, alegando a Igreja Católica ter atrasado o mundo, em que países protestantes são mais avançados que os países católicos.

Continua
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0 # geraldo 05-11-2017 17:50
CONTINUO (III) sobre ENS.RELIGIOSO: mas, o que a igreja pretende é ainda mais : é a liberdade para uma educação católica sem ônus (extra) para o bolso dos pais. Digo extra, pois o dinheiro do nosso imposto já deveria cobrir os custos da nossa necessidade de dar formação acadêmica aos nossos filhos. E formação acadêmica católica! Portanto, não é apenas o direito de ensinar o catecismo numa aula semanal. É o reconhecimento do nosso direito de ensinar todas as disciplinas acadêmicas (física, literatura, matemática, literatura, arte, etc.) de modo católico, pois como dizia Raimundo Lúlio, um cristão (por causa da luz da fé ) aborda o real e produz conhecimento numa velocidade, quantidade, qualidade e acerto muito maiores do que se ele contasse apenas com a luz da razão incompleta, não ampliada pela fé. Temos uma epistemologia e pedagogia própria (que aliás muito serviu ao mundo!) e a lei (LDB) reconhece a pluralidade pedagógica.
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0 # geraldo 05-11-2017 17:27
CONTINUO (II) sobre o ENSINO RELIGIOSO: ...pois esse ensino religioso estatal que alega estar promovendo o pluralismo e o multiculturalismo, buscando valores comuns à todas pertenças confessionais, efetivamente impõe a pauta do maestro, ou seja a do estado, a do especialista que faz o livro didático ou a do professor que ministra esse ensino religioso, sopa rala de vários ingredientes. Os valores que cada tradição espiritual porta consigo não se reúnem num passe de mágica, mas SÃO REUNIDOS sob o critério e a intencionalidade de quem promove esse tipo de ensino religioso, pretensamente "plural". O que se tem, como resultado, é um MONOCULTURALISMO, a cultura de quem tem a batuta na mão. Existe muito mais diálogo cultural e religioso na conversa que eu e um judeu (ou um ateu, ou espírita) resolvemos manter um com o outro (interculturalidade!) , do que numa multirreligiosidade, que é uma MISTURA feita pela colher de um só, na panela de um só: o poder estatal.
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0 # geraldo 05-11-2017 17:15
CONTINUO (sobre o ensino religioso): a escola pública é - como o nome diz - do povo. Se esse povo é católico, ele tem todo direito de fazer acontecer dentro dela o ensino católico. Se esse povo (o conjunto dos estudantes da escola) é composto de protestantes, espíritas, ateus e católicos, ele tem direito de promover na escola, o ensino das concepções religiosas dessas quatro pertenças (e incluo o ateísmo pois ele também é uma interpretação acerca da religião) , cada qual para o seu próprio público. E ao fazer isso, esse povo está usando o próprio dinheiro (pois paga impostos) e decidindo seu próprio modo de viver. Portanto é um ato de emancipação popular frente ao poder estatal e sua pretensão de decidir quais valores o povo deve desposar e não um "retrocesso" como afirma Dom Joaquim Mol, bispo auxiliar de Belo Horizonte. E é uma pena ver um bispo colocando sua voz a serviço da ditadura do poder estatal (e do econômico sempre a ele atrelado)...
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0 # geraldo 05-11-2017 17:05
Eu quis comentar sobre o vosso último CAÇADORES de TRETAS, mas não sei como entrar na área de comentários ali no youtube. Por isso, tentarei espremer aqui, duas observações:

1) Boicote pontual à TV: não sei se percebo bem o que vocês disseram, mas creio que podemos e devemos fazer mais que isso: um abandono definitivo da tv. A internet oferece aquilo que a TV oferece (noticiário parece ser o mais útil) e muito mais se soubermos escolher bem, inclusive um noticiário mais crítico, que vai mais às entrelinhas e bastidores dos fatos que a tv costuma esconder. 2) Ensino religioso confessional na escola: concordo com o que foi dito: a família e a comunidade cristã são as primeiras responsáveis pelo ensino (e vivência) da fé. Só acrescento: elas podem fazer isso também por meio da escola, que se torna assim não uma ação catequética a mais, mas extensão daquela que ocorre na igreja e na família.
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0 # Nicolas França 02-11-2017 14:31
Qual o motivo da Ordem Juvenil da maçonaria "De molay", colocar como nome um templário que se tornou Mártir?
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+3 # Marcos 06-11-2017 12:14
Sabe aquela conversa de "apropriação cultural"? Então, quando a vítima do saque cultural é Igreja, pode...
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+3 # Marcos Levi 02-11-2017 12:49
Muito bacana o texto. Parabéns!!! Assim q os pergaminhos de Chinon foram abertos, li um dos primeiros se nao o primeiro livro em português, Os Templários Historia e Mito do Michael Haag, ele usa um termo "genial" para descrever a relação dos Templários com a Maçonaria, o termo é cooptado, ele diz que a História dos Templários foi cooptada pela maçonaria, que precisava de uma origem mitológica para se estabelecer! Ou seja, tomar sem que o outro possa resistir, não haviam templários vivos p protestar!
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